Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Agricultura exonera superintendentes no Paraná e em Goiás

Demissão de técnicos indicados por partidos da base aliada foi acertada no domingo entre Blairo Maggi e o presidente Temer

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 Março 2017 | 22h33

BRASÍLIA - Três dias depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, os dois superintendentes de Agricultura, Pecuária e Abastecimento dos Estados do Paraná e de Goiás - os dois principais alvos da investigação da Polícia Federal - foram exonerados nesta segunda-feira, 20. A decisão do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, de demitir os técnicos foi acertada com o presidente Michel Temer no domingo. 

As demissões atingem Gil Bueno de Magalhães, no Paraná, e Júlio César Carneiro, em Goiás. Ambos indicações de partidos da base aliada, o PP e o PTB. O Palácio do Planalto sabe que este é um problema para o governo, que está em plena negociação com os aliados para a aprovação da reforma da Previdência.

Com a decisão, Temer tenta dar uma “resposta rápida” às irregularidades encontradas pela PF, em mais uma demonstração não só para o público externo, mas também para o interno, da disposição do governo federal de ir a fundo nas investigações contra as fraudes na fiscalização dos frigoríficos. 

Nesta segunda-feira, 20, Temer aproveitou uma reunião com ministros e líderes da base, inicialmente convocada para tratar da reforma da Previdência, para explicar a operação da PF. Minimizando os efeitos da operação policial, ele apresentou o que chamou de “real dimensão” dos fatos. 

Informou que os Ministérios da Agricultura, da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores estão empenhados em restaurar a normalidade em relação aos produtos brasileiros e deixou clara sua preocupação com o impacto destes fatos sobre os empregos que poderão ser perdidos por conta da redução de consumo de carne não só no Brasil, como no exterior, inclusive por conta do bloqueio de vários países às exportações de produtos brasileiros. “Queremos que todos fiquem bem informados”, comentou Temer, ao relatar todas as ações de governo dos últimos dois dias.

Apesar das inúmeras frentes do governo para apresentar reações às denúncias, o Planalto não conseguiu esconder o incômodo com o que os interlocutores do presidente chamam de “espetacularização da PF”, ao anunciar a operação. O problema é que o estrago na base deve ser ainda maior, porque o número de demissões poderá ser ampliado, à medida que as investigações avançarem. 

Cargos técnicos. Esse episódio serviu para que um outro tipo de cobrança chegasse ao Planalto, contrariando a prática adotada de nomeações políticas: a de que o governo não pode continuar distribuindo a partidos políticos cargos técnicos dessa importância. O Planalto, no entanto, ainda não traçou nenhuma outra estratégia para responder a essas críticas.

O presidente Michel Temer ficou satisfeito com a repercussão do gesto político que fez no domingo, de ir à churrascaria e convidar os embaixadores e representantes estrangeiros para acompanhá-lo. Mas está preocupado com os primeiros embargos anunciados, principalmente com a atitude da China. 

A ordem agora, de acordo com auxiliares do presidente, é que os Ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura atuem “com toda força”. O Planalto quer que as áreas técnicas dessas duas pastas não descansem enquanto não responderem a cada uma das dúvidas dos países para os quais o Brasil exporta, para evitar que os embargos sejam consumados.

Interlocutores diretos do presidente reiteraram que houve um “certo exagero” da PF, ao anunciar a Operação Carne Fraca, por exemplo, “como a maior operação” já realizada. Insistiram que as fraudes foram “pontuais”, atingindo efetivamente apenas 21 das 4.837 unidades frigoríficas do País, sendo que apenas quatro tinham problemas de fraude. 

Apesar da insatisfação com a espetacularização, o Planalto tenta dizer que o mal-estar é principalmente do Ministério da Agricultura com a Polícia Federal. A pasta alega não ter sido informada e diz que o modo como a operação foi divulgada deixou o País em uma situação vulnerável. Para o governo, neste momento, é preciso que sejam explicados detalhes do ponto de vista técnico - do que foi de fato encontrado nas investigações - para tentar minimizar os danos à imagem da carne no exterior.

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