Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Temer diz que faltam 'só 40 votos' para aprovar reforma da Previdência

Presidente reconheceu que o ano eleitoral dificulta a negociação do governo para conseguir os 308 votos necessários na Câmara

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 01h14
Atualizado 06 Fevereiro 2018 | 11h43

SÃO PAULO -  O presidente Michel Temer afirmou, em entrevista à RedeTV exibida na noite desta segunda-feira, 5, que faltam "só 40 votos" para o governo conseguir aprovar a reforma da Previdência na Câmara. A entrevista foi gravada na sexta-feira, 2. O presidente declarou ainda que, conforme o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, há 70 indecisos que podem decidir votar com o governo nas próximas duas semanas. Segundo Temer, o Congresso pode pegar "uma onda que traz os votos com facilidade".

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O governo quer votar o texto no plenário da Câmara no dia 20. Temer declarou, na entrevista, que vai "até o fim" para aprovar a reforma da Previdência, mas que a proposta precisa ser votada em primeiro turno até o "final de fevereiro, início de março". "Estamos chegando à conclusão que não há como deixar este tema permanentemente o ano todo", disse. "Se não for votado, realmente fica difícil, aí temos que ir para outras pautas."

Para o presidente, a sociedade está entendendo a necessidade de reformar o sistema previdenciário brasileiro e isso deve ecoar no voto dos parlamentares. O presidente afirmou, ainda, que os parlamentares que votarem a favor da proposta vão ganhar eleitoralmente, mas reconheceu que o ano eleitoral dificulta a negociação do governo para conseguir os 308 votos necessários na Câmara. "Os candidatos não querem desagradar os eleitores." Além disso, Temer disse que há uma "natural resistência" de corporações contra a reforma.

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Temer afirmou também que, se a reforma for aprovada agora, o assunto não será tema das eleições presidenciais. Do contrário, o presidente acredita que os candidatos serão questionados sobre seu posicionamento em relação à Previdência.

Mais uma vez, o emedebista destacou que, se a reforma não for feita agora, o sistema previdenciário pode "quebrar" em dois ou três anos. Temer declarou que poderia "silenciar" e deixar o assunto para outro governo, mas que está pensando nos próximos presidentes ao propor a medida. Temer prometeu que, se aprovada a reforma, mudanças para os militares serão feitas na sequência.

Candidatura. Temer disse  que o MDB pensa em ter candidato próprio ao Planalto na eleição de outubro, mas não pensa em ser candidato à reeleição e que a primeira-dama, Marcela Temer, não gostaria que ele se lançasse na disputa.

"Há essa perspectiva. Evidentemente, o PMDB, com a capilaridade que tem em todo o País, pensa numa candidatura própria", disse Temer. O presidente afirmou, no entanto, que não cogita ser o candidato. "Eu não penso nisso. Meu desejo é fazer uma gestão (...) histórica."

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Temer repetiu que é preciso ter um candidato "que defenda o legado" do governo, e mais uma vez desafiou opositores a discursarem contra sua gestão durante a campanha eleitoral. O emedebista evitou, no entanto, comentar cenários eleitorais. "Estamos muito no começo, só lá na frente é que vamos ter um quadro real."

O presidente comentou sobre sua falta de popularidade. "Eu não quero unanimidade. [Se] o sujeito não vai com minha cara, paciência. Se tiver bons ouvidos, pode ouvir meus argumentos e começar a ir com a minha cara", disse. Para Temer, a população "começa a sentir a partir de agora" os efeitos positivos de sua gestão.

Contas públicas. Durante a entrevista, o presidente admitiu que o governo poderá rever a regra de ouro. A norma impede o governo de tomar dívida para financiar gastos correntes. "Ao longo do ano, se for o caso, poderá haver alguma modificação, de natureza legislativa, constitucional." Temer insistiu que o governo está reduzindo despesas e que, com a regra do teto de gastos, há a expectativa de o valor arrecadado se igualar ao valor gasto em aproximadamente dez anos.

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Cristiane Brasil. Perguntado sobre a tentativa de nomear a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho, frustrada por uma sequência de decisões judiciais, Temer disse que vai aguardar a definição do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente comentou que fará a reforma ministerial em abril, quando os ministros que querem disputar as eleições devem se desincompatibilizar dos cargos. "Ali vou verificar qual composição eu faço", disse.

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Semipresidencialismo. Defensor de uma mudança no formato de governo, Temer disse que é provável que sua gestão proponha, ainda em 2018, uma emenda constitucional para estabelecer o semipresidencialismo no País, para vigorar a partir de 2022. O presidente disse estar conversando com o ministro Gilmar Mendes, do STF, e com outros "companheiros" para formular o conteúdo da proposta. "A vantagem disso é que você divide responsabilidades com o Poder Legislativo, que seria mais atuante nas questões de governo."

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