André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer promete acelerar auditoria em frigoríficos e leva embaixadores para churrascaria

Presidente fez maratona de reuniões com ministros e associações; das 21 unidades suspeitas de irregularidades, seis exportaram carne nos últimos dois meses

Tania Monteiro, Lígia Formenti e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 Março 2017 | 18h34

BRASÍLIA - Dois dias depois de virem à tona as denúncias de fraude na carne brasileira, o presidente Michel Temer convidou embaixadores e representantes de países compradores do produto a irem a uma churrascaria em Brasília no início da noite, como prova de que o produto é seguro. A "excursão" à churrascaria foi feita logo depois da reunião com representantes de países estrangeiros, a terceira do dia para discutir as providências em relação às denúncias que vieram à tona com a operação realizada pela Polícia Federal, na sexta-feira. Os cortes bovinos do restaurante, entretanto, seriam importados de Argentina, Uruguai e Austrália, segundo funcionários do restaurante.

Temer afirmou que vai acelerar o processo de auditoria nos 21 frigoríficos citados na denúncia a partir desta semana, disse ter confiança na qualidade da produção nacional e que as plantas exportadoras estão abertas para inspeção  de países importadores e ao acompanhamento das atividades de controle. "O governo federal quer reiterar a confiança na qualidade da produção nacional", declarou ele.  

"O Ministério da Agricultura tem rigoroso serviço de inspeção. Esse padrão de excelência  abriu as portas para mais de 150 países." Temer citou ainda números da produção para tentar assegurar a qualidade dos produtos. "Ao longo dos últimos anos não foram identificadas objeções. Em 2016 foram expedidas 853 mil partidas de produtos de origem animais e apenas 184 foram consideradas fora da conformidade",citou o presidente, antes da reunião. De acordo com ele, em boa parte dos casos, as irregularidades estavam ligadas a problemas de rotulagem.

"A reunião de hoje é para prestar esclarecimentos. A notícia pode ter gerado uma preocupação muito grande, especialmente de países que importam a carne como consumidores brasileiros", afirmou o presidente. Temer observou ainda que, das  4.837 unidades sujeitas à inspeção federal, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades.  "E dessas 21, 6 exportaram nos últimos 60 dias", disse o presidente. 

Mais cedo, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que o governo está mais preocupado com o mercado externo e não está dando explicações ao consumidor brasileiro. Ele ressaltou que foram apenas três frigoríficos fechados e que a maioria não tem problema. “As pessoas não querem mais comprar carne. Falta explicação para todos”, afirmou. 

Já o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Eduardo Rangel, disse que não existe risco sanitário na carne brasileira e que as questões apontadas pela operação da Polícia Federal não trazem risco para a população nem para exportações. “Não existe risco sanitário e num primeiro momento a ideia é que possamos reagir rapidamente para tranquilizar a sociedade”, afirmou ao chegar ao Palácio do Planalto para reunião com Temer e representantes do setor. 

Levantamentos. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, participou de entrevista coletiva neste domingo e afirmou que a pasta está fazendo os levantamentos necessários para ter informações mais precisas e tranquilizar brasileiros e consumidores de outro países de que os problemas não são generalizados.

“Temos um sistema muito forte, robusto e reconhecido no mercado internacional. Ao chegar aos países de destino, todas as mercadorias são novamente fiscalizadas”, afirmou. “Vamos aproveitar para mandar a mensagem para os consumidores internos brasileiros de que não há problema nenhum nos produtos”.

Ele ressaltou que o governo está priorizando a transparência. Segundo Maggi, as associações pediram rapidez nas punições. “Ninguém quer passar a mão na cabeça de quem fez coisa errada”, completou. 

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