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Tendência de alívio no ritmo de alta dos preços fica mais clara

Com mais força do que projetavam os analistas, a inflação medida pela variação do IPCA recuou em fevereiro, na comparação com o IPCA-15. As estimativas apontavam uma alta de 1% no índice mensal cheio, mas o resultado apurado pelo IBGE mostrou uma elevação de 0,9%. Com isso, a inflação em 12 meses recuou um pequeno degrau, de 10,71%, em janeiro, para 10,36%, no mês passado. Foi a primeira queda do índice desde setembro.

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José Paulo Kupfer,
O Estado de S.Paulo

09 Março 2016 | 21h27

As indicações disponíveis depois da divulgação dos números de fevereiro reforçam expectativas de que a alta de preços, pelo menos até fins de 2017, tenha batido no teto no período de apuração do IPCA-15 de fevereiro. Projeções atualizadas para a marcha da inflação mostram agora um declínio consistente, no acumulado em 12 meses.

Por tais projeções, a variação do IPCA já recuaria dos dois dígitos em março, para quando está prevista elevação em torno de 0,5%, no mês e de 9,5%, em 12 meses. Como este está prometendo ser o padrão de variação do IPCA na maior parte dos meses restantes do ano, o índice, caso as expectativas se confirmem, recuaria a cada mês até fechar 2016 com alta entre 7% e 7,5%. Exercícios de previsão mais alongados no tempo – e, portanto, mais incertos – localizam em fevereiro de 2017 o ponto de regresso da inflação aos limites dos 6,5% que definem o teto da meta.

Em todas as categorias de bens e serviços que compõem o IPCA, a trajetória prevista para 2016 e 2017 é de redução do ritmo de alta em relação a 2015. Destaque para os administrados, que devem avançar nas vizinhanças de 7%, em 2016, depois do ajuste que resultou numa alta explosiva de 18%, no ano passado.

Outras forças deflacionárias podem contribuir para confirmar a moderação das altas, conforme as projeções. Embora sempre imprevisível, a taxa de câmbio, importante elemento de disseminação da inflação, para cima ou para baixo, não deverá nem de longe sofrer desvalorizações tão acentuadas quanto os mais de 50% registrados em 2015. Além disso, o quadro recessivo, que opera no sentido de conter tanto a demanda quanto o crédito que a impulsiona, não deve dar trégua tão cedo.

É verdade que o índice de difusão, indicador da proporção de itens com preços em alta, continua em 77%, bem acima da média histórica. Sinal de resistências, expressas em parte por tentativas de indexação de preços, visíveis sobretudo nos serviços. Mas a tendência de alívio na inflação, ainda que a alta de preços se mantenha em níveis elevados, ficou mais clara.

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