Tereos avalia aquisições, mas foco hoje é o acionista

Na mira para possível expansão há seis unidades da Bunge, próximas às da Tereos

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 05h48

A Tereos Internacional considera ampliar o seu parque fabril, que conta atualmente com sete usinas, todas no Estado de São Paulo. Mas isso não é prioridade agora, segundo o diretor da Região Brasil da companhia de origem francesa, Jacyr Costa Filho. Na mira para possível expansão há seis unidades da Bunge, próximas às da Tereos. Costa Filho lembra da disputa com a própria Bunge pela compra dessas agroindústrias, quando pertenciam ao Grupo Moema, mas a norte-americana apresentou proposta melhor. Porém, a Bunge declarou que pode se desfazer das usinas ou de parte delas dentro de um processo de fusão ou venda da própria multinacional para outra empresa do setor. Segundo Costa Filho, a preocupação atual da Tereos é dar retorno ao acionista pelos investimentos feitos no setor de açúcar e etanol no País. “Não adianta falar de hipóteses. O foco é o retorno aos acionistas.”

Etanol. A Tereos Açúcar e Energia Brasil, braço local da Tereos Internacional, acompanhará as demais usinas do setor e produzirá o máximo possível de etanol na safra 2018/2019, que começa em abril. “O mercado está pedindo”, afirma Costa Filho. Ele cita os preços pouco remuneradores do açúcar e a demanda aquecida pelo biocombustível. Da cana-de-açúcar processada, a ideia é destinar até 45% para o etanol, ante 35% na safra passada.

Determinada. A suíça Syngenta planeja chegar à segunda posição global na venda de sementes e, para isso, não descarta a possibilidade de comprar mais empresas. No radar, negócios de gigantes do setor que, em processo de união, podem ter de se desfazer de ativos para ter suas operações aprovadas por órgãos regulatórios. Em novembro, a Syngenta adquiriu a Nidera, que possui amplo portfólio de sementes de soja para Brasil e Argentina. Com o investimento, passou a deter 20% do mercado do insumo no País, ficando atrás apenas da Monsanto e da argentina GDM Seeds.

Tá fraco. As vendas de carne de frango para a União Europeia estão caindo. Em janeiro, as exportações brasileiras da proteína salgada para o continente cederam 47% na comparação com janeiro de 2017, para 8 mil toneladas. O presidente da cooperativa C.Vale, Alfredo Lang, diz à coluna que a queda é consequência direta da Operação Carne Fraca. “A Europa impôs normas mais rigorosas para o produto brasileiro, ampliando as análises de qualidade da carne”, explica.

Como faz? Nesta terça-feira (27), governo e indústria voltam a se reunir para buscar soluções que estimulem as exportações de carnes de aves. No último dia 21, eles já haviam debatido sobre o maior rigor europeu e mais um obstáculo a transpor no Brasil: a carência de fiscais agropecuários para dar conta de toda a demanda.

Tema espinhoso. O setor de defensivos se prepara para um debate acalorado. No fim de março, o deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR) deve apresentar à Comissão Especial da Câmara sobre Defensivos um parecer sobre o projeto de lei (PL) 6.299, de 2002, revisando a legislação sobre agrotóxicos do País. O texto também levará em consideração mais 20 PLs sobre o tema. Entidades setoriais dizem não saber o que esperar, mas a reivindicação é antiga: mudanças no procedimento de registro e liberação de novos produtos para respeitar o prazo previsto na legislação, de até 120 dias. Alguns processos aguardam definição há quase dez anos.

A vez deles. Quem participou na semana passada da cerimônia de posse da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília, notou a ausência do pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Com vários simpatizantes entre os ruralistas e presente em outros eventos do setor, o deputado federal deixou o caminho livre para outros aspirantes ao Planalto alinhados com o agronegócio: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que dominaram as atenções no dia da posse (foto).

Contra. A recém-criada Associação Nacional dos Pesquisadores da Embrapa (Anpe) engrossou o coro de críticas feitas por entidades representativas de empregados à diretoria da estatal de pesquisa agropecuária. Em comunicado divulgado internamente na semana passada, a Anpe se posiciona contra qualquer decisão da Embrapa de criar mais unidades justamente em um momento de redução de gastos. Apesar do discurso de cortes, em fevereiro foi lançado em Alagoas o projeto da Embrapa Agroalimentar.

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