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Tesouro capta US$ 1 bilhão no exterior em plena corrida eleitoral

Adriana Fernandes

03 Setembro 2014 | 17h 49

Captação durante a campanha é incomum; demanda superou a oferta em quase cinco vezes e serviu de teste de confiança dos investidores

Fábio Motta/Estadão
O mercado estava com liquidez num mês que é tradicionalmente favorável para as emissões externas, porque os gestores de recursos costumam voltar das férias com maior apetite

Em plena campanha eleitoral e mesmo com o aumento das críticas à política econômica do governo Dilma Rousseff, o Tesouro Nacional captou nesta quarta-feira, 3, no mercado internacional US$ 1 bilhão em títulos com prazo de vencimento em 2025. A demanda dos investidores estrangeiros pelo bônus brasileiro atrelado ao dólar - o Global 2025 - atingiu US$ 4,75 bilhões. O volume foi quase cinco vezes superior à quantidade vendida, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O Tesouro aproveitou o maior apetite dos gestores de fundos internacionais, depois do período de férias do Hemisfério Norte, para fazer, na prática, um "teste" de confiança nesse momento delicado para a economia brasileira de desaceleração do crescimento e piora da política fiscal.

A taxa de juros que será paga pelo Tesouro ao investidor que comprou o Global 2025 ficou em 3,88% - valor mais baixo que os 4,30% obtidos na última vez que o Tesouro vendeu no mercado internacional um papel com prazo de vencimento semelhante, em outubro passado. Foi a menor taxa negociada no mercado secundário em 12 meses para um bônus do Brasil com vencimento de 10 anos.

A oferta inicial era de US$ 500 milhões e US$ 750 milhões, mas com a demanda mais forte o volume vendido chegou a US$ 1 bilhão. O Tesouro aceitou pagar um prêmio de 147 pontos-base acima da remuneração do título do Tesouro dos EUA de vencimento equivalente.

Confiança. Na avaliação do governo, a operação mostrou que a "foto" da economia continua positiva para os investidores internacionais, o que se refletiu no recuo das taxas. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, sempre aproveita o resultado das operações externas para reforçar o discurso do governo de que continua a confiança dos investidores externos, uma vez que há demanda pelos papéis.

A operação foi a terceira captação externa do Brasil em 2014. A última foi realizada em 23 de julho, quando o governo brasileiro emitiu um bônus de 30 anos, com vencimento em 2045. Na ocasião, foram emitidos US$ 3,55 bilhões. Não está descartada uma nova captação até o fim do ano.

O mercado internacional de dívida soberana estava, nos últimos dias, com boa liquidez num mês que é tradicionalmente favorável para as emissões. A decisão do governo de voltar ao mercado refletiu o recuo das taxas dos títulos norte-americanos (Treasuries) e também dos papéis brasileiros . Em julho, o papel de 10 anos brasileiro estava sendo negociado a uma taxa um pouco superior a 4% e ontem foi vendido por 3,88%. O governo estende hoje a venda para o mercado asiático. Coordenaram a operação os bancos BTG Pactual, Citigroup e Morgan Stanley. Os recursos ingressam no País no próximo dia 10.