Tesouro se mantém no topo das indicações

Entre as opções de investimento da renda fixa, títulos do governo são os preferidos

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

02 Janeiro 2012 | 07h41

As opções de investimento da renda fixa terão ganhos menos expressivos ao longo de 2012. O recuo será reflexo das futuras reduções na taxa básica de juros (Selic), que estão na pauta do Banco Central e que servem como base para o cálculo da rentabilidade da renda fixa. Deixar esse tipo de investimento para trás, porém, não é a recomendação. Mas diversificar a carteira, incluindo a renda variável, é a alternativa mais indicada por especialistas.

Estão na renda fixa aplicações como o Tesouro Direto, a caderneta de poupança, os fundos DI e de renda fixa, além dos os Certificados de Crédito Bancário (CDBs). "Mesmo com as reduções na taxa de juros, o Brasil continua tendo o maior juro do mundo, portanto, renda fixa ainda é vantajoso", explica Rogério Bastos, diretor da consultoria FinPlan.

Willian Eid Júnior, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), concorda com Bastos e diz que as reduções de 0,5 ponto porcentual na Selic ainda são pequenas para afetar de forma notável a rentabilidade das aplicações de renda fixa. "Quando o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) derruba a taxa, de bate-pronto, os títulos do Tesouro têm algum ajuste, por exemplo. O mesmo ocorre com os fundos de renda fixa, que têm sua carteira composta pelos títulos do governo", diz Eid. "Mas isso não quer dizer que, quem tem cota de fundo ou título do Tesouro, deve se desfazer do investimento", frisa o professor de finanças da FGV.

O professor de finanças da Ibmec do Rio, Luiz Filipe Rossi, lembra, porém, que é preciso incluir na conta da rentabilidade a inflação. "Se o juro cai, mas a inflação continua alta, como está hoje, as rentabilidades são ainda mais afetadas. Portanto, este número, o da inflação, também deve entrar no cálculo."

Poupança. A remuneração da tradicional caderneta de poupança é determinada por lei. Isso quer dizer que, se não houver alteração na regulamentação (e, segundo a própria presidente Dilma Roussef, não haverá) o rendimento anual da caderneta será em 2012 idêntico ao que foi em 2011: de 6% mais Taxa Referencial (TR), que não costuma ultrapassar 0,1% por ano.

Mas, se de fato a Selic entrar num clico de queda, como é esperado, e cair para patamar inferior a 8,5% ao ano - hoje está em 11% ao ano -, a poupança passa a ser mais atrativa do que outras opções da renda fixa (como os fundos de investimento). Isso porque os fundos deste tipo têm taxa de administração. O porcentual desta taxa é descontado do total investido.

Tesouro Direto. Durante 2011 os títulos do Tesouro Direto ganharam ainda mais popularidade. Além de ser a recomendação preferida de especialistas em investimentos, a opção de aplicação ganhou títulos mais baratos (de R$ 30), o que tem atraído ainda mais a atenção de pequenos investidores.

Entre os especialistas, o comentário geral é que os títulos têm baixos custos, boa rentabilidade e são fáceis de acessar para a compra.

Com a projeção de recuo na Selic, o Tesouro tende a render menos do que em 2011. Mas incluir títulos do governo na carteira continua sendo uma boa opção.

Para o novo ano, Fábio Colombo recomenda a compra de papéis indexados à inflação e os do tipo pós-fixados. "Para mim, uma boa fórmula é colocar 80% dos recursos que vão para o Tesouro em pós-fixados e 20% nos indexados à inflação", afirma.

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