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Entrevista.

Fabricante das marcas Brastemp e Consul se prepara para atender ao aumento esperado para o consumo

'Todo mundo que puder contratar vai contratar'

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11 Dezembro 2011 | 03h 06

O corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca fez a Whirlpool acelerar a produção de eletrodomésticos para atender o consumo, que pode crescer até 30% no primeiro trimestre de 2012. A empresa abriu a contratação de 1.100 trabalhadores, inicialmente por 120 dias, que poderá ser definitiva, diz o presidente da empresa para América Latina, José Drummond.

O executivo se diz preocupado com as pressões de custos e não descarta aumento de preço nos próximos meses, apesar do corte de impostos. "Se tivermos pressão de custo que justifique uma correção de preços para cima ou para baixo, ela será feita. Essa é uma decisão soberana da companhia."

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. vê a redução do IPI para linha branca e qual é o impacto nas vendas?

Vejo a redução do IPI com muitos bons olhos. Acho que foi uma medida acertada. Ela foi tomada porque deu resultado da primeira vez. Acho que o governo entende que os níveis de IPI dos eletrodomésticos não fazem sentido. Alguém pode perguntar porque uma medida dessas em pleno mês de dezembro? O PIB é muito em função de consumo e essa medida ajuda o consumo. Ela pode ajudar a performance da economia do País no curto prazo.

O sr. já sentiu o impacto?

Já senti muito mais motivação do varejo por aquisições não só para dezembro, mas planejando as compras do primeiro trimestre.

De quanto?

Aumento de 20% das encomendas para o Natal em relação aos patamares esperados. Para o primeiro trimestre, há expectativa de acréscimo de até 30%, dependendo da categoria de produto. A experiência mostrou que, no passado, o varejo repassou a redução de imposto para o consumidor. Eu tenho certeza que os varejistas estão otimistas. E nós também: estamos contratando 1.100 colaboradores para chão de fábrica.

Quando procurei a Whirlpool dois meses atrás para falar de expectativas de emprego, a resposta foi que não haveria contratação.

Era isso. Agora nós vemos razões para fazer contratações por causa da demanda adicional nesses 120 dias.

Elas são temporárias?

É uma contratação por 120 dias, podendo ser definitiva. Vamos trabalhar muito forte para efetivar todo mundo.

Quando foi fechado o acordo para a redução do IPI, houve uma cláusula de não demissão ou de contratação por parte das indústrias?

Não. Estava claro para o governo que não precisava disso. A medida é forte o suficiente para que ninguém demita. Todo mundo que puder contratar vai contratar.

Antes de o governo soltar essas medidas, os estoques estavam crescendo?

Não, porque nós trabalhamos com estoques enxutos.

No cenário que estava se desenhando antes da queda do IPI, havia uma desaceleração nas vendas?

Se não houvesse a medida, nós fecharíamos o ano, como todo o mercado, provavelmente crescendo a um dígito, alto ou baixo, dependendo da categoria. No segundo semestre, menos que isso e, em algumas categorias, até negativo, quando se faz a comparação com 2010. Foi um ano mais difícil? Foi, porque entramos o ano com uma expectativa de crescimento muito maior e ela não aconteceu, então tivemos de seguir a vida. Foi um ano mais trabalhoso, mas não foi ruim.

O eletrodoméstico tem efeito multiplicador de vendas?

Sim, ele tem o poder de virar a loja. Além de ter uma cadeia industrial grande, equiparada à do carro, quando você olha a cadeia produtiva.

Qual é a efetividade dessa medida comparada com a redução de IPI de 2009?

Acho que ela é efetiva, porque grande parte do consumo de eletrodoméstico é substituição ainda. Mas é muita substituição para produtos melhores. O consumidor pode estar mais endividado? Sim, mas ele hoje tem mais segurança que o seu emprego será mantido e a renda será preservada. O governo abriu linhas de crédito de R$ 5 bilhões, é muito dinheiro.

Qua é a preocupação da indústria hoje?

O que me preocupa como fabricante é o custo, mais até do que demanda. Em três anos, a mão de obra subiu 30%, as matérias-primas atreladas ao petróleo, 25%. Tem crise no mundo e o petróleo não cai. O ano foi ruim de custo.

Vocês conseguiram repassar a alta de custos para preços?

Fizemos um repasse de 5% em maio, o primeiro em dois anos e meio.

E agora, com essa medida do IPI, pode ter algum repasse? Há constrangimento em fazê-lo?

Não é varejo nem governo que vão dizer quando vamos ou não aumentar preço. Se tivermos pressão de custo que justifique uma correção, vamos fazer. Essa é uma decisão soberana da companhia. / M.C.

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