José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Trabalhadores da Mercedes-Benz rejeitam proposta de redução da jornada e de salários

Acordo apresentado pela Mercedes-Benz havia sido aprovado pela liderança do sindicato; contrapartida da proposta era estabilidade de um ano no emprego

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 12h23

Trabalhadores da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, rejeitaram por ampla maioria a proposta apresentada pela empresa ontem de redução na jornada de trabalho em 20% e nos salários em 10%. Em contrapartida, os cerca de 10 mil trabalhadores da unidade, incluindo pessoal administrativo, teriam garantia de emprego também por um ano.

A proposta era defendida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que vinha negociando com a empresa medidas para evitar demissões. A empresa alega ter cerca de 2 mil funcionários ociosos e já cortou 500 vagas no fim de maio, 200 delas por meio de programa de demissão voluntária(PDV). 

Os trabalhadores votaram a proposta durante todo o dia de ontem de forma secreta (com votos em urnas) e a apuração ocorreu durante a madrugada desta sexta-feira, 3.

O sindicato informou nesta manhã que "por enquanto, as negociações estão interrompidas e não há previsão de reunião entre sindicato e empresa." A entidade informou ainda que a fábrica da Mercedes fica parada de hoje ao dia 10, com os trabalhadores em banco de horas.

Já a empresa afirmou que só vai se pronunciar no fim da tarde de hoje.

A proposta da Mercedes-Benz incluía a aplicação de apenas metade do reajuste salarial pela inflação (INPC) no próximo ano. Em acordo anterior, os trabalhadores já haviam aceitado abrir mão do aumento real, acima da inflação.

Outra medida previa a abertura de um programa de demissão voluntária (PDV) para aposentados e trabalhadores com estabilidade. Nas vagas dos que aderissem ao PDV, a Mercedes iria recontratar parte dos 300 trabalhadores demitidos em maio.

"Foi uma negociação muito dura. Consideramos que essa é a proposta de acordo possível para esse cenário de crise", afirmou, ontem, o diretor do sindicato, Moisés Selerges. "O mercado de caminhões registra queda de quase 50% e, na nossa avaliação, só deve melhorar a partir do segundo semestre de 2016", disse.

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