Trafigura compra minas de ferro da MMX e embarca 1º navio no RJ

Operação já estava prevista no plano de recuperação da empresa de Eike Batista, aprovado na semana passada

Reuters

03 Setembro 2015 | 02h04

A trading holandesa Trafigura informou ontem que fechou acordo para comprar duas minas de minério de ferro da MMX Sudeste, fundada pelo empresário Eike Batista e em processo de recuperação judicial.

A Trafigura não revelou o valor do negócio, mas disse em um email que irá adquirir os ativos de mineração e processamento de minério de ferro de Tico-Tico e Ipê, que têm capacidade para produzir 6 milhões de toneladas por ano, segundo o site da MMX.

O negócio marca uma nova expansão da atuação da Trafigura no negócio de minério de ferro, além da atuação no comércio da commodity.

A Trafigura disse ainda que o Porto Sudeste, no litoral do Rio de Janeiro, que ela controla junto com o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, fez seu primeiro carregamento de minério de ferro esta semana, após um longo atraso nas operações devido a problemas de licenciamento.

As minas da MMX, em Minas Gerais, estão conectadas ao Porto Sudeste por ferrovia.

A MMX entrou com pedido de recuperação judicial no ano passado, seguindo caminho de outras empresas do grupo criado por Eike no setor de energia, construção de navios e produção de petróleo, que sofreram um gigantesco colapso em meio a metas de operação não cumpridas e dívidas crescentes.

A Trafigura disse que um segundo carregamento de minério está previsto para setembro.

O Porto Sudeste tem atualmente capacidade para carregar 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Trafigura planeja elevar a capacidade para 50 milhões de toneladas anuais até o fim deste ano.

Assembleia. Na semana passada, os credores da MMX Sudeste, subsidiária da mineradora MMX S.A, aprovaram em assembleia o plano de recuperação judicial da companhia. A dívida da companhia é estimada em cerca de R$ 800 milhões. A venda da atividade de mineração para a Trafigura era um dos itens previstos pelo plano.

A mineradora tentou costurar a venda de ativos para evitar a recuperação judicial, mas a combinação da queda livre do preço do minério de ferro com embargos ambientais que impediram a exploração de parte das minas fizeram a empresa ter de recorrer ao artifício judicial para evitar um pedido de falência.

Dias antes da aprovação do plano de recuperação, o presidente da MMX, Ricardo Werneck, chegou a afirmar que a empresa estava no "CTI" (Centro de Terapia Intensiva) em meio ao "momento desafiador do País" e do setor de mineração.

A MMX, que há um ano empregava 600 funcionários, possui hoje cerca de 100. A companhia não está produzindo minério de ferro e tem na venda de energia excedente sua única fonte de receita atual.

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