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Transcrição mostra compartilhamento de ordens de bancos

Jamie McGeever - Reuters

20 Junho 2014 | 09h 28

Investigadores britânicos receberam transcrições de conversas em salas de bate-papo online mostrando que operadores de grandes bancos dominam o desregulado mercado de moedas internacionais

LONDRES -  Investigadores britânicos estão examinando milhões de mensagens eletrônicas que incluem evidências de um possível conluio entre um pequeno grupo de operadores de moedas, disseram fontes.

Os investigadores receberam transcrições de conversas em salas de bate-papo online mostrando que operadores de grandes bancos que dominam o desregulado mercado de moedas internacionais compartilhavam informações sobre ordens que estavam prestes a realizar para clientes.

Os operadores combinavam detalhes das ordens de fundos de hedge e discutiam os preços que deveriam ser oferecidos, disseram as fontes, que viram algumas das mensagens que estão no centro da investigação internacional sobre suposto conluio nos mercados de moedas internacionais.

Em uma transcrição de abril de 2012, dois operadores discutem as taxas que devem ser pagas a determinados fundos de hedge. O fundo queria uma taxa de cinco pontos-base em sua ordem, mas o primeiro operador ofereceu uma taxa de seis.

Um juro maior é menos vantajoso para o cliente, neste caso o fundo de hedge, e um preço mais atraente para o banco.

"Não gosto desse cara, e ele está realizando ordens para dois ou três bancos ao mesmo tempo", disse o segundo operador no chat, de acordo com uma pessoa com conhecimento do conteúdo da transcrição. "Eu mostro seis para caras legais, mas para caras como esse vou mostrar sete no futuro", disse o operador.

O primeiro operador então decidiu por um juro de sete pontos-base, disse a pessoa familiar com a transcrição. A Reuters não teve acesso à transcrição confidencial, que foi lida por uma fonte à Reuters.

Quaisquer evidências de conluio serão mais um revés para alguns dos maiores bancos do mundo, já atingidos por multas e novas regulações após a crise financeira de cinco anos atrás.