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Tratores populares salvam setor

Cleide Silva, SÃO PAULO - O Estadao de S.Paulo

23 Agosto 2009 | 00h 00

Vendas sobem 48% no semestre

Com um crescimento de vendas de 48,3% em relação ao ano passado, tratores populares, de pequeno porte e usados basicamente na agricultura familiar, ajudaram a compensar a queda no mercado de máquinas agrícolas no País. Pela primeira vez, o segmento formado por veículos com capacidade de até 75 cavalos (cv) de potência representa cerca de 70% das vendas de tratores. A participação em anos anteriores atingia no máximo 45%. De janeiro a julho, foram vendidos 12.431 tratores pequenos, ante 8.382 em igual período do ano passado. Foi o único segmento, até agora, a escapar da crise internacional, que também fez estragos no segmento agrícola. A venda de tratores como um todo (incluindo os de médio e grande portes) caiu 4,5%, enquanto a de tratores de esteira teve redução de 25,6%, a de cultivadores, de 9,1%, a de colheitadeiras, de 36,1%, e a de retroescavadeiras, de 17,8%. Desde outubro, quando os reflexos da crise financeira internacional se aprofundaram no País, o setor de máquinas agrícolas demitiu 4.168 funcionários, empregando atualmente 14.187 pessoas, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). "Sem o reforço nas vendas de tratores pequenos, a queda no mercado como um todo poderia ter chegado a 20% ou 25%", calcula Flávio Alberto Crosa, diretor de Vendas e Marketing da Agrale. A reviravolta no mercado de tratores populares é explicada pelos programas de apoio aos pequenos agricultores. O Mais Alimentos, do governo federal, o Pró-Trator, do governo de São Paulo, e o Trator Solidário, do governo do Paraná, adotados desde outubro, evitaram nesse segmento uma queda parecida a de outros produtos, como colheitadeiras, afirma Gilberto Zago, vice-presidente da Anfavea e diretor da John Deere. Os programas governamentais, principalmente o Mais Alimentos, que é de âmbito nacional e oferece três anos de carência e sete para o pagamento do empréstimo, estabelece os preços dos tratores beneficiados entre R$ 52 mil e R$ 73 mil (modelos de 50 a 75 cv). O programa facilita o acesso ao crédito e permite a pequenos agricultores o acesso à mecanização. Rogério Aparecido Posso, de 30 anos, adquiriu seu primeiro trator em abril. Ele sempre trabalhou em uma pequena propriedade de cultivo de morangos, com o pai, mas, há seis anos, após se casar, decidiu trabalhar por conta própria. Hoje, cultiva feijão e milho em parte de uma fazenda arrendada em Atibaia (SP). "O trator facilitou tudo", conta ele, que tem um filho de nove anos e trabalha sozinho. Por safra, o agricultor colhe 12 mil sacos de milho - vendidos para uma fábrica de ração - e de 500 a 600 sacos de feijão, entregues a uma beneficiadora. "Antes eu conseguia plantar de 10 a 12 alqueires, agora vou plantar 50." Pequenos agricultores como Posso fazem parte da chamada agricultura familiar, que, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responde por cerca de 40% da produção agrícola brasileira. No caso do feijão, 67% da produção são cultivados em pequenas propriedades, índice que é de 49% no caso do milho. MÁQUINAS GRANDES A dificuldade em obter crédito novo por causa do comprometimento com financiamentos anteriores é um dos fatores que, na visão de Milton Rego, diretor da Case New Holland (CNH), derrubaram as vendas de tratores de grande porte e outros equipamentos, além do impacto da crise financeira. Pelas contas da Anfavea, devem ser vendidas este ano 47 mil máquinas agrícolas, 13,8% a menos que em 2008. Até julho, foram comercializadas 27,8 mil unidades, uma queda de 8,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a produção deverá ser 23,5% menor (65 mil máquinas, ante 85 mil em 2008) em razão também da queda das exportações.

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