Paulo Whitaker/Reuters
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Turbulência não trava mercado de capitais

Ofertas de ações no Brasil movimentaram, neste ano, R$ 14,5 bilhões, quase 37% mais que em 2016

Cynthia Decloedt e Aline Bronzati, Impresso

17 Junho 2017 | 17h00

O mercado de capitais brasileiro adotou uma dose de cautela adicional após a crise deflagrada com as delações da JBS. A nova fase da crise, que ameaça a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, não travou, no entanto, as operações em andamento para captação de recursos por empresas em bolsa e com emissão de títulos de dívida. No mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), olhar para o Brasil do futuro continua valendo a pena, mas, por enquanto, é melhor esperar alguma visibilidade para definitivamente selar negócios.

A crença dos executivos é de que a taxa de juros continuará caindo, beneficiando a atividade econômica, que sairia da recessão. Carrefour e o ressegurador IRB Brasil Re anunciaram ofertas bilionárias de ações (IPO, na sigla em inglês), que devem acontecer em julho. Há informações de que a farmacêutica Biotoscana testará o mercado nessa época. Operações de captação por meio de emissão de títulos como debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio mantêm cronogramas e algumas que vieram ao mercado nos últimos dias surpreenderam positivamente.

Os sinais de manutenção de otimismo, porém, são acompanhados de muita insegurança. O diretor gerente do Bradesco, Renato Ejnisman, diz que os investidores locais estão mais seletivos do que os estrangeiros. “Os estrangeiros já estão acostumados a investir em emergentes, têm visão menos contaminada e estão atentos para acertar o ponto de entrada.”

Até agora, as ofertas de ações no Brasil movimentaram R$ 14,5 bilhões, volume quase 37% maior que total registrado em 2016, segundo a B3, empresa resultante da fusão da BM&FBovespa e Cetip. A cifra pode dobrar caso Carrefour e IRB sejam bem-sucedidos em suas captações.

O diretor de ações do Santander Brasil, André Rosenblit, observa que as empresas que desejarem emplacar uma oferta de ações terão período curto para fazê-lo, porque as discussões das eleições 2018 devem começar a esquentar.

O andamento das transações foi até acelerado em alguns casos, em fusões e aquisições. O sócio do fundo de private equity inglês Actis, Patrick Ledoux, afirma que a estratégia de busca de oportunidades não mudou. “As decisões são mais afetadas por câmbio e desempenho econômico. A turbulência obriga a observar a resiliência da empresa, o que pode ser descontado no preço do negócio.”

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