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''''Turbulência no mercado é saudável''''

Para Henrique Meirelles, queda corrige exagero das cotações e Brasil está mais sólido para enfrentar vaivém

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Marcelo Rehder ,
O Estadao de S.Paulo

08 Março 2007 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ontem que a turbulência nos mercados globais é um ajuste previsível e pode ser até mesmo considerada saudável. ''''Os mercados tendem a ter correções periódicas para atingir patamares mais sustentáveis de desenvolvimento'''', afirmou. Ele atribuiu a volatilidade aos exageros na precificação de alguns mercados depois de um período prolongado de crescimento e de liquidez elevada. Meirelles reconheceu que o intenso vaivém no mercado financeiro internacional é negativo, mas ocorre em um momento mais favorável para o Brasil. Para ele, o País está mais sólido do que no passado e os ativos não estão tão valorizados. ''''É melhor que venha hoje, porque o Brasil tem mais força para passar por esse tipo de turbulência do que tinha há alguns anos'''', disse Meirelles, após o encerramento da conferência ''''Brasil 2020: Crescimento de Longo Prazo e Estratégia de Investimentos'''', realizada em São Paulo pelo Conselho Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o Americas Society/Council of the Americas (AS/COAS). Ele citou que o mercado interno está mais sólido e o País tem reservas internacionais volumosas. Assim, depende menos dos mercados internacionais. Além disso, frisou que a inflação está ancorada na meta e a situação fiscal é equilibrada. Para o presidente do BC, enfrentar uma turbulência daqui a dois ou três anos seria pior. ''''O mercado exuberante durante alguns anos poderia levar a algumas distorções de preços, cuja correção poderia ser mais custosa no futuro.'''' Meirelles afirmou que a rentabilidade das aplicações das reservas internacionais brasileiras em títulos dos EUA não está ameaçada pela instabilidade dos ativos americanos. ''''A oscilação dos mercados faz com que os investidores se voltem para títulos dos EUA, o que diminui os rendimentos, mas, para quem já tem títulos em carteira, o retorno já está dado.'''' Ele ressaltou que os títulos que o Brasil escolhe são seguros e garantem o retorno adequado às reservas. ''''Isso mostra que as opções foram certas.'''' O presidente do BC reconheceu que existe um custo de carregamento das reservas internacionais - que estão em US$ 156 bilhões -, mas disse que é compensado pelos benefícios da queda do risco país. ''''Quando o risco ai, cai também o custo de captação de recursos.'''' SATISFAÇÃO Meirelles não escondeu a satisfação com o arquivamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do inquérito contra ele, que investigava supostas irregularidades ficais e cambiais. ''''Minha vida sempre foi pautada pelo absoluto respeito às leis e à ética pública'''', disse. ''''Isso ficou cabalmente comprovado da melhor maneira possível, o que me dá ainda mais tranqüilidade para continuar trabalhando pelo País.'''' O presidente do BC evitou fazer previsões sobre quando o País receberá o status de grau de investimento. ''''Tivemos aqui no evento uma representante de uma agência de classificação de risco e a expressão dela ouvindo minha palestra estava muito positiva'''', comentou. Lisa Schineller, diretora de Análise de Risco Soberano da América Latina da agência Standard & Poor''''s, a quem Meirelles se referia, havia dito que o Brasil está muito perto de obter o grau de investimento. FRASES Henrique Meirelles Presidente do BC ''''É melhor que venha hoje, porque o Brasil tem mais força para passar por turbulências do que há alguns anos'''' ''''O mercado exuberante durante alguns anos poderia levar a algumas distorções de preços''''

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