Turquia reforça compras de gado vivo do Brasil

Interesse é por animais gerados por cruzamento industrial, uma mistura de raças zebuínas com europeias, que confere maior maciez à carne

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 06h00

Oitenta mil bovinos devem ser embarcados para a Turquia no ano que vem pela Alpha Commodities, de São Paulo. O gerente comercial, Luís Flávio Araújo, diz que em 2017 vendeu ao país 33 mil cabeças, sendo que 12 mil foram enviadas em setembro e outras 21 mil seguirão em dezembro. A Turquia é o principal comprador de gado vivo do Brasil. O interesse é por animais gerados por cruzamento industrial (mistura de raças zebuínas com europeias, que confere maior maciez à carne). Araújo conta que os turcos buscam bois prontos para abate e também magros, para engorda. Este ano, até outubro, segundo a Scot Consultoria, com base em dados oficiais, o Brasil exportou 306,5 mil cabeças para vários países, alta de 35% ante 2016. Só no mês passado, o faturamento alcançou US$ 42,19 milhões.

Sempre de olho. Na onda de consolidação de multinacionais de insumos agrícolas, a Basf continuará atrás de empresas para reforçar o portfólio de sementes, acredita Jorge Attie, consultor da Céleres. Para ele, a empresa não poderá ficar de fora desse mercado. Na semana passada, a Syngenta/ChemChina comprou a Nidera, de sementes. Em 2016, a Bayer levou a Monsanto. Em 2015, a Dow e DuPont anunciaram fusão. Sem um grande “sócio”, a Basf comprou, no mês passado, parte dos negócios de sementes da Bayer e outros ativos. À coluna, a Basf declarou estar “constantemente analisando oportunidades”. 

Para onde? No mercado brasileiro, contudo, há poucas opções de empresas de sementes grandes e sólidas para aquisição, segundo o consultor. “Sobraram TMG e Donmario (do grupo argentino GDM Seeds), mas a Basf teria de desembolsar um bom dinheiro”, diz Attie. Ambas têm forte presença no mercado nacional de soja. 

Promessas. O presidente da Terra Santa Agro, Arlindo Moura, está pessimista quanto à recuperação dos trechos mais críticos da rodovia BR-163, no Pará, onde tropas do Exército trabalham para prevenir atoleiros como os de março deste ano. Havia a previsão de que em fevereiro a rodovia estaria pronta para o escoamento da safra. “Infelizmente não está no ritmo esperado, não.”

Nos trilhos. A Ferroeste lança em São Paulo, no dia 28, o Procedimento de Manifestação de Interesse para a expansão da linha férrea que ligará Dourados (MS) ao Porto de Paranaguá (PR), de mil quilômetros.

Pequenos investem. Pequenos produtores investiram pesado em máquinas agrícolas no mês de outubro. A comercialização de colheitadeiras de até 265 cavalos aumentou 41% ante 2016, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O movimento reflete a necessidade de renovação de frota, depois de anos de baixos investimentos. Os médios e grandes começaram a investir em 2016, capitalizados pelos preços remuneradores dos grãos.

Lá fora. O mercado externo de máquinas está aquecido. As exportações brasileiras de janeiro a outubro superam em 44% as de igual período de 2016. Até os Estados Unidos estão entre os clientes do País. A vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade, diz que três fatores contribuíram: o dólar valorizado, o alto nível tecnológico das máquinas produzidas aqui e a estratégia das montadoras de fortalecer a assistência técnica lá fora.

Guru. Bastou o ex-ministro Roberto Rodrigues pregar maior participação do agronegócio nos projetos de governo nas eleições de 2018 para começar a ser procurado por potenciais candidatos. Em evento do setor na semana passada, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que é com Rodrigues, atual coordenador do GV Agro, que aprende sobre o setor.

Segurando as pontas. A agricultura fez com que a economia do Centro-Oeste crescesse 2,1% no terceiro trimestre, o maior avanço do País, diz o Banco Central. O resultado foi puxado pela safrinha de milho. Entre 2015 e 2016, anos de crise mais acentuada, a região teve a menor queda na atividade econômica. “O Centro-Oeste sofreu menos com a recessão. O agronegócio é o eixo dinamizador local”, diz o analista de agronegócios da Tendências, Felipe Novaes. 

Customização. O Santander abre neste mês mais sete lojas exclusivas para o agronegócio, duas delas em MT. Até setembro, a carteira rural do banco somava R$ 11,922 bilhões, 40% mais que em igual período de 2016.

COLABOROU CÉLIA FROUFE

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