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Um dos piores anos do mercado imobiliário

Entre 2014 e 2015, os lançamentos de imóveis em São Paulo recuaram 38,6%, de 32.930 para 20.218 unidades, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). O indicador pode servir como uma prévia dos resultados do ano passado apurados, com apoio da Embraesp, pelo sindicato da habitação (Secovi), que só serão conhecidos no início do mês que vem e que incluem a comercialização de moradias.

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18 Fevereiro 2016 | 03h07

Tão ou mais grave do que a queda do número de imóveis lançados é o da redução da área total oferecida na capital, da ordem de 2 milhões de m². O número é cerca de 47% inferior ao de 2014. Não só a demanda por moradia está “estagnada”, segundo os técnicos da Embraesp, como o estoque de unidades produzidas e não vendidas continua em patamar elevado. Nem a redução do preço médio pedido por m² – de R$ 9.186,00 em 2014 para R$ 8.404,00 em 2015 – bastou para promover uma reativação do mercado.

Outros sinais do segmento imobiliário também são ruins, como a demanda por áreas edificáveis, os distratos e a retração das vendas da indústria de materiais de construção, de 7,2%, entre dezembro e janeiro, e de 20,5%, entre 2014 e 2015.

O mercado imobiliário apresenta tendência de estagnação desde o início da década, quando os preços dispararam, reduzindo o porcentual de compradores potenciais. Entre 2014 e 2015, caiu quase 40% o número de unidades lançadas, enquanto o volume de financiamento imobiliário concedido com base na captação das cadernetas de poupança diminuía cerca de 30%.

Com as mudanças na legislação sobre o uso do solo e as restrições ao direito de construir introduzidas pelo Plano Diretor da Prefeitura Municipal de São Paulo, o mercado de terrenos destinados à incorporação encolheu muito. Algumas incorporadoras chegam a pôr à venda parte do seu estoque de áreas, a despeito da importância desse estoque para permitir a retomada futura dos lançamentos.

O aumento do desemprego e a queda da renda real forçaram compradores de imóveis na planta a desistir da aquisição (distrato). Isso tem ocorrido em grande escala, sobretudo quando os preços atuais dos imóveis são inferiores aos preços do lançamento – e os compradores constatam que fizeram mau negócio.

As perspectivas para 2016 são de novas quedas, seja pela falta de confiança de incorporadores e compradores, seja pela escassez de crédito.

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