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'Uma agenda de intervenções jogou a produtividade para baixo', diz Marcos Lisboa

ALEXA SALOMÃO - O ESTADO DE S. PAULO

31 Agosto 2014 | 18h 15

Vice-presidente do Insper prevê dificuldades nos próximos 12 meses para a manutenção do atual baixo índice de desemprego do País

Por que o Brasil patina? “Uma agenda de intervenções jogou a produtividade para baixo. Primeiro, ela comprometeu a indústria. Agora chegou ao setor de serviços, que estava bem e sustentava um paradoxo: o País ter taxas de desemprego baixas apesar de a economia não ir bem. A perspectiva do emprego para os próximos 12 meses não é positiva. O que estamos vendo não é um simples ajuste. A perda de produtividade é estrutural e reduziu o crescimento potencial. Enfim, a capacidade de produzir bens e serviços ficou menor. O governo atribui o problema à retração internacional, mas o argumento não se comprova quando se compara o Brasil com outros países. A economia mundial cresceu quase 4% ao ano entre 2002 e 2010, ante 3,3% nesta década, comportamento semelhante ao da América Latina. O Brasil, porém, foi de 4% para 2% no período, devendo crescer menos de 1% em 2014. As taxas de crescimento latino-americanas, por sua vez, são maiores do que as apresentadas em anos anteriores à crise.”

Como reverter o problema? “Ganho de produtividade vem da concorrência. Na hora que tenho várias empresas tentando prosperar, muitas vão fracassar. Quebrar. É parte do jogo. Mas algumas vão ter sucesso. Vão crescer. Essas serão copiadas e vão gerar aumento de produtividade. Você pode até dar estímulos. Não sou contra estímulos. O Chile vinha tendo redução de investimento e fez recentemente uma política de estímulo. Mas eles não escolheram A ou B. Fizeram para todo mundo. Vou dar um exemplo local. O agronegócio teve proteção - mas para todo mundo. Empresas privadas e públicas, como a Embrapa, fazem pesquisa. O agronegócio concorre internacionalmente. Muita gente quis plantar soja em Mato Grosso e café no Cerrado mineiro e faliu. Mas as empresas que sobreviveram compraram as pequenas, investimento em novas máquinas, serviços e equipamentos. Precisamos sair da armadilha dos benefícios setoriais que foi criada nos últimos anos. Desarmar vai ser complicado. Haverá oposição, mas a direção é essa para que o Brasil retome o crescimento.” 

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