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Uma retomada do PIB está cada vez menos nítida

O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2014 | 02h 05

Entre as muitas análises, prognósticos e comentários a respeito da queda de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, em relação ao primeiro, convém destacar alguns fatos importantes.

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Por exemplo: a indústria de embalagens já antecipava esse andamento desfavorável do PIB. Esse setor depende, em boa escala, da demanda de bens de consumo não duráveis. Sua retração costuma indicar uma futura retração das atividades industriais, comerciais e até agrícolas, tendo em vista a necessidade de embalagens para produtos alimentícios.

Por isso, a diretora executiva da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Luciana Pellegrino, disse ao Broadcast que sua área não se surpreendeu com a queda do PIB, tendo em vista o recuo de 1,9% na produção física de embalagens, entre abril e junho, e a diminuição de 0,73% no acumulado do semestre.

Na verdade, as quedas nesse setor costumam ser até mais moderadas do que nas atividades atendidas, por ele desfrutar de uma demanda mais resiliente, isto é, suas vendas são feitas para atender à produção futura e não à momentânea.

Em outras palavras, pode-se prever, portanto, a continuidade das quedas em outras atividades. Por isso a Abre espera para ver se o mau desempenho foi exclusividade do segundo trimestre, em razão da Copa do Mundo, ou se está atrelado ao cenário macroeconômico como um todo - raciocina Luciana Pellegrino.

Outro fato a ser levado em conta é que, segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) se retraiu 5,3% no segundo trimestre, em comparação com o primeiro, bem mais do que a redução de 0,6% do PIB. Visto que, em boa medida, a marcha da economia é função do ritmo da FBCF, presume-se que não haverá, adiante, muito gás para expansão do PIB.

Parece que não bastará o governo "apertar" a política fiscal em 2015, para "ajudar o BC a ser mais expansionista", como pretende o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na verdade, vai-se impondo a necessidade de uma grande discussão fiscal em 2015, diz o professor Reginaldo Nogueira, do Ibmec-MG, pois, se o mercado tinha dúvidas sobre se o superávit fiscal seria ou não cumprido, "os números divulgados (pelo IBGE) ajudam na certeza de que não".

A economia já está, tecnicamente, em recessão. E isso, além de derrubar a arrecadação fiscal, desgasta a segurança, já abalada, dos empresários em investir.