Uma surpresa muito positiva no leilão da ANP

Com arrecadação recorde de mais de R$ 8 bilhões em bônus de assinatura, foi sem precedentes o êxito da 15.ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

O Estado de S.Paulo

01 Abril 2018 | 05h00

Com arrecadação recorde de mais de R$ 8 bilhões em bônus de assinatura, foi sem precedentes o êxito da 15.ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O resultado foi surpreendente – o ágio dos blocos concedidos foi de 621,9% – porque, um dia antes da realização do certame, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia retirado do leilão dois dos blocos tidos como mais valiosos entre os 70 oferecidos, localizados na Bacia de Santos, na área conhecida como polígono do pré-sal.

O governo arrecadará, com as concessões, mais do dobro dos R$ 3,55 bilhões previstos apenas com os blocos excluídos do leilão pelo TCU. Sem esses blocos, o Ministério de Minas e Energia temia que a arrecadação fosse inferior a R$ 0,5 bilhão.

Das 17 empresas inscritas para disputar as áreas marítimas, apenas 5 não fizeram lances. Das 47 áreas marítimas ofertadas, 22 foram disputadas e serão exploradas por consórcios dos quais participam algumas das principais empresas petrolíferas do mundo. Entre elas estão Statoil, ExxonMobil, Repsol, Shell, Chevron, Petrogal, BP Energy, QPI e Wintershall, além da Petrobrás, que participou dos consórcios que pagaram maiores ágios.

O leilão mostrou a atratividade dos blocos localizados em áreas profundas, a começar das áreas da Bacia de Campos, notou o presidente da Petrobrás, Paulo Parente.

O potencial exploratório das áreas também foi destacado pela presidente da ExxonMobil Brasil, Carla Lacerda. A multinacional atuou em parceria com a Petrobrás e será a operadora dos blocos de que participou. “Agora vamos trabalhar juntos (com a Petrobrás) porque temos que implementar um programa robusto de aquisição de dados, de sísmica”, enfatizou.

O leilão mostrou que o Brasil não depende apenas da exploração das regiões do pré-sal, ressaltou o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Jorge Camargo. “O Brasil voltou a ser um dos principais destinos para investidores globais”, disse Camargo.

O leilão deixou patente que as empresas globais que atuam no setor confiam nas mudanças regulatórias promovidas para atrair investidores para a exploração do petróleo brasileiro. Essa confiança deverá ser confirmada no próximo leilão, previsto para este semestre, quando serão licitadas áreas do pré-sal.

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