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Kraft Heinz faz oferta de US$ 143 bi pela Unilever, mas negócio é recusado

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Kraft Heinz faz oferta de US$ 143 bi pela Unilever, mas negócio é recusado

Fusão entre as duas companhias criaria gigante do setor de alimentos; Heinz tem entre os controladores a 3G Capital, do brasileiro Jorge Lemann

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O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2017 | 12h32
Atualizado 17 Fevereiro 2017 | 22h30

A Kraft Heinz – grupo de alimentos controlado pelo fundo 3G, de Jorge Paulo Lemann, e pelo megainvestidor Warren Buffet – confirmou nesta sexta-feira, 17, ter feito uma oferta de US$ 143 bilhões pela rival anglo-holandesa Unilever. A proposta, imediatamente recusada pela concorrente, pode dar início a uma disputa entre duas das maiores empresas de produtos de consumo do mundo. 

Em comunicado, a Unilever, dona de marcas como Dove e Omo, justificou sua decisão afirmando que o valor oferecido – R$ 50 por ação e novos papéis, o que significa um prêmio de 18% sobre o preço de fechamento de quinta-feira – “subvaloriza a empresa”. Segundo a companhia, a operação não teria “qualquer mérito financeiro ou estratégico para seus acionistas”. A Unilever é a quarta maior fabricante mundial de bens de consumo, com receita de US$ 58 bilhões no ano passado, embora venha sofrendo nos últimos anos em países emergentes.

A Kraft Heinz informou que, mesmo com a recusa da rival, acredita que será possível chegar a um consenso no futuro. “Apesar de a Unilever ter recusado a oferta, esperamos poder concluir um acordo sobre as condições de uma transação.”

Segundo a empresa de pesquisas Dealogic, uma possível fusão entre Unilever e Kraft Heinz seria a segunda maior da história corporativa, atrás apenas da compra da alemã Mannesmann AG pela Vodafone, em 1999, por US$ 172 bilhões.

A própria Kraft Heinz foi resultado de uma fusão, em um acordo de US$ 100 bilhões orquestrado por Buffet e pela 3G Capital, em 2015. O investidor americano, dono da holding Berkshire Hathaway – com investimentos significativos na IBM e na Coca Cola –, é o maior acionista da empresa, com 26,8%. O 3G Capital, gigante do private equity fundado por Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, vem logo em seguida, com fatia de 23,9%. O grupo tem ainda grandes participações na cervejaria ABInBev e na rede de fast-food Burger King.

Contexto. A oferta acontece em um momento sensível para o Reino Unido, em que políticos e grandes empresas tentam administrar a incerteza gerada pela saída do país da União Europeia. A decisão de ficar de fora do maior bloco comercial do mundo levou ao enfraquecimento da libra esterlina, o que tornou os ativos do país mais baratos e alvo de investidores estrangeiros com dinheiro em caixa. 

Dentro dos critérios do Reino Unido, a Kraft Heinz tem um mês para fazer uma oferta firme ou se abster de fazer uma nova proposta por seis meses. A estratégia da companhia americana só veio à tona após reportagem do Financial Times ter divulgado a operação, citando pessoas informadas sobre o assunto.

Com a expectativa de a Kraft Heinz continuar na batalha para se unir à Unilever, analistas esperam o confronto entre duas empresas com culturas radicalmente diferentes, afirma o Financial Times . A Kraft Heinz é famosa por suas táticas agressivas de redução de custos. Segundo o jornal, a Unilever, com um amplo portfólio de marcas tradicionais, é conhecida por seu foco na tentativa de equilibrar rentabilidade com sustentabilidade ambiental. (COM REUTERS)

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