Varejo espera por recuperação da confiança

Cautela é a palavra de ordem dos empresários do setor, que esperam umasolução para a crise política

Márcia De Chiara, Impresso

17 Junho 2017 | 17h00

Após três anos de quedas e acumulando retração de cerca de 20% nas vendas de 2014 a 2016, o comércio varejista mostrou neste início de ano os primeiros sinais de recuperação. Mas, após denúncias envolvendo Michel Temer, as incertezas em relação à recuperação que vinha se desenhando aumentaram.

É consenso entre especialistas que a variável para validar as projeções de recuperação feitas inicialmente é quanto tempo vai levar para que o imbróglio se resolva. “Tudo depende de quanto tempo vai durar a crise política”, diz o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo.

Segundo ele, por conta da queda da inflação e dos juros, da liberação dos recursos das contas inativas do FGTS – além da base fraca de comparação que é o ano de 2016 –, em maio, as perdas do comércio foram praticamente zeradas em relação ao ano passado. A perspectiva é registrar aumento modesto nos próximos meses. Para ele, o movimento do dia a dia do varejo ainda não foi afetado pela crise política. Mas reconhece que a confiança do consumidor, ainda baixa, pode ter sido abalada.

O tamanho do susto apareceu em duas pesquisas da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) para apurar a confiança dos consumidores. Na primeira, dia 10 de maio, antes da delação, o índice estava bem melhor do que o de duas semanas depois. “Esse resultado é relevante”, diz Fabio Pina, assessor econômico da Fecomércio-SP. Ele destaca que, até agora, a mudança mais significativa ocorreu na intenção de compra de bens duráveis, que caiu depois da delação. Mas avalia ser cedo para medir o impacto da crise no varejo. “Na melhor das hipóteses, vai retardar as decisões dos investidores.”

A crise política também assustou empresários do comércio. Após cinco altas seguidas, o índice que mede a confiança empresarial voltou a cair em maio. O economista Aloisio Campelo, da FGV/Ibre, pondera que pode ter havido exageros e o pessimismo pode recuar nos próximos meses. “A crise tira velocidade da recuperação e prejudica mais os bens duráveis. Mas não acho que vá trazer o País de volta para a recessão, a não ser que haja um quadro de ruptura.”

Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio, observa que, entre as variáveis mais relacionadas ao desempenho do comércio – projeção de PIB, inflação, juros e câmbio –, só o câmbio teve alteração após a delação. “Essa alteração não foi suficiente para abortar nossa expectativa de crescimento de 1% do volume de vendas neste ano”, diz. Ressalta, porém, que a validade da previsão “está ligada à gravidade da crise e à sua duração”.

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