Issei Kato | Reuters
Issei Kato | Reuters

Vem aí a quarta revolução industrial

Pesquisas indicam que 50% das empresas brasileiras ainda não sabem exatamente o que é Indústria 4.0

Mariana Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 05h00

A adoção da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) nas fábricas, conectando robôs e automatizando processos, recebeu o nome de Indústria 4.0 ou, ainda, quarta etapa da Revolução Industrial. O conceito foi criado pelo governo alemão, em parceria com universidades e empresários, para aumentar a produtividade das fábricas do país.

Nos últimos anos, o modelo vem sendo replicado em várias regiões do globo e é apontado como essencial para garantir a competitividade da produção nos próximos anos.

Assim como outras áreas do IoT, a Indústria 4.0 é caracterizada pela combinação de várias tecnologias. As máquinas sensorizadas, o uso de inteligência artificial e a unificação de dados dos vários sistemas de uma empresa são elementos que garantem o sucesso do modelo.

“A aplicabilidade é enorme”, diz Guilherme Araújo, executivo da IBM Watson no Brasil. “Num produto vendido já com sensores, as empresas conseguem receber informações de como o objeto foi utilizado pelo cliente e assim definir quais soluções precisam ser alteradas na renovação daquela linha.”

O modelo também reduz custos para as companhias. Ele permite desenvolver e testar vários protótipos virtuais antes de começar a produção.

Vicente Mazinetti, gerente de pré-vendas da Siemens PLM Software, diz que a economia gerada pela digitalização dos processos nas fábricas é um dos principais atrativos.

“O conceito básico é não gastar dinheiro: desenvolver produtos de modo virtual, usar software no desenvolvimento dos produtos, testá-los virtualmente e armazenar essas informações no mesmo banco de dados. Com isso, toda a equipe de desenvolvimento terá acesso à mesma informação, o que também trará produtividade para o fluxo de produção", completa Mazinetti.

Outros mercados. O impacto da Quarta Revolução Industrial vai além da forma de produzir das fábricas.

Empresas voltadas para a produção de máquinas, como a GE, têm usado o momento para se reposicionar no mercado como fornecedoras de software. A multinacional norte-americana é um dos exemplos de sucesso na aplicação da Indústria 4.0.

“A GE tem 125 anos de mercado. Há alguns anos percebemos que, se continuássemos insistindo no modelo fabril tradicional, não viveríamos mais 100. Adotando este modelo, viramos líderes mundiais também em software, que é o futuro”, afirma Loïc Hamon, presidente da GE para a América Latina.

Para o executivo, o modelo de Indústria 4.0 e o avanço desenfreado das tecnologias deverão, em poucos anos, revolucionar todos os setores da economia, não somente o fabril.

“Quando um cliente nos procura para saber como será o futuro e sobre a importância transformação digital, digo: ‘Enquanto estamos conversando, há um tsunami sendo formado no mercado e não conseguimos vê-lo. Em pouco tempo, esse tsunami vai alcançar seu setor, independentemente de qual seja. Você estará protegido ou estará dormindo na praia?’”

Transformação digital. A primeira etapa de implementação da Indústria 4.0 é a digitalização de todos os processos fabris. Especialistas do setor afirmam que as empresas brasileiras caminham a passos lentos nessa etapa.

“Pesquisas indicam que 50% das empresas brasileiras ainda não sabem exatamente o que é Indústria 4.0. E há o agravante da crise. Muitos empresários acham loucura investir em produtividade agora sem ter para onde escoar os produtos”, diz Mazinetti.

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