Vencedor de leilão quer antecipar operação de Jirau

O consórcio Energia Sustentável, vencedor do leilão da usina hidrelétrica de Jirau, pretende antecipar de outubro de 2016 para 2013 o prazo para que todas as turbinas do empreendimento entrem em operação. Segundo o presidente do consórcio liderado pela franco-belga Suez, Victor-Frank Paranhos, a usina deverá entrar em operação já em abril de 2012, quando o cronograma original previa que a primeira máquina começasse a funcionar em janeiro de 2013. Ao todo, Jirau terá 44 turbinas, cada uma com 75 megawatts (MW) de potência. O presidente da Suez no Brasil, Mauricio Bär, explicou que o consórcio conseguiu reduzir em R$ 1 bilhão o custo da obra civil, alterando o local, no Rio Madeira, onde será instalada a usina. O consórcio vai erguer a barragem 9 quilômetros mais próximo de onde será construída a usina de Santo Antonio. "Essa mudança reduziu os custos porque necessitaremos de um volume de escavação em rocha menor", explicou. Outra diferença do novo projeto é a divisão das turbinas em duas casa de força. O projeto original previa uma grande casa de força única. Como conseqüência desta mudança, a área alagada vai aumentar em 10 quilômetros quadrados de inundação. Segundo Mauricio Bär, essas mudanças no projeto não deverão dificultar a obtenção da licença ambiental de instalação junto ao Ibama. "Não deve haver dificuldade com o Ibama porque essa região que será alagada a mais já seria afetada pelo reservatório de Santo Antonio", disse Bär, acrescentando que não teme uma demora maior na obtenção da licença de instalação. "Teremos uma discussão em bom nível e esperamos que o Ibama avalie os benefícios dessa mudança", disse. Maurício Bär afirmou ainda que a menor quantidade de rocha escavada representa um ganho do ponto de vista ambiental. Recursos O presidente do consórcio afirmou que o grupo irá avaliar opções de financiamento além dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Uma das possibilidades é o uso dos recursos do FGTS, disponibilizado pela Caixa Econômica Federal. "Ainda não conversamos com a Caixa, mas vamos avaliar. Analisamos qualquer financiamento que tenha custo baixo e seja de longo prazo", disse o executivo após o término do leilão. Bolsa Victor-Frank Paranhos disse ainda que o grupo deverá ter suas ações negociadas em bolsa entre 2012 e 2013. "Só podemos abrir o capital quando todos os riscos do projeto forem mitigados", comentou. Antes de pensar na abertura de capital, o executivo disse que é preciso equacionar outros pontos, como licenças ambientais e a compra de equipamentos da hidrelétrica. Pelas regras do edital da licitação, o consórcio deverá constituir uma sociedade de propósito específico (SPE), que deverá negociar suas ações no Novo Mercado da Bovespa.

LEONARDO GOY, Agencia Estado

19 Maio 2008 | 17h46

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