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Venda da Transpetro é questionada

Representantes dos trabalhadores alegam que possibilidade não passou pelas ‘instâncias decisórias da companhia’ e pedem esclarecimentos

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Antonio Pita / RIO,
O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2016 | 05h00

Anunciada na sexta-feira pelo diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, a possível venda da subsidiária de logística, Transpetro, não foi discutida ou aprovada pelo Conselho de Administração da estatal. O tema também não passou pelo colegiado da própria subsidiária. Representantes dos trabalhadores em ambos os colegiados divulgaram nota ontem, solicitando “imediatos esclarecimentos” sobre a negociação, classificada como uma “insubordinação em relação às instâncias decisórias da companhia”.

Em uma semana de derrocada das cotações internacionais do petróleo, fechando em média a US$ 29, e das ações da Petrobrás no mercado financeiro, que recuaram 21% nas primeiras semanas do ano, Monteiro anunciou na sexta-feira a análise inicial, feita por um banco, para a venda da subsidiária, responsável por uma frota de 54 embarcações e pela gestão de 49 terminais logísticos, além da rede de oleodutos.

A opção por intensificar a venda de ativos de infraestrutura, com valor de mercado sem relação com a cotação de óleo, foi um novo aceno aos investidores. Na terça-feira, a companhia já havia anunciado cortes de US$ 32 bilhões em investimentos, redução da meta de produção e revisão das premissas financeiras para os próximos três anos.

Em nota publicada em sua página, o conselheiro Deyvid Bacelar criticou a negociação da subsidiária e o anúncio feito antes de deliberação nos conselhos e comitês internos de análise de projetos. Bacelar ressaltou que a “pressa em divulgar medidas não discutidas no Conselho” demonstra “inabilidade da diretoria na análise da conjuntura política e econômica do País”.

“As vendas de quaisquer ativos da Petrobrás são discutidas internamente, contudo, essas decisões passam pelo Comitê Estratégico (Coest) e, depois, pelo Conselho de Administração (...) Reafirmo que a situação de venda de novos ativos não foi discutida nas reuniões do Conselho”, diz o comunicado. “A ‘publicização’ desses fatos apenas gera especulações, afeta o ambiente de mercado, bem como o clima da companhia, comprovando uma clara insubordinação da diretoria em relação às instâncias decisórias da companhia”, completa.

Campanha. Em campanha pela reeleição no colegiado da Petrobrás, Deyvid Bacelar comparou o plano de venda de US$ 14,4 bilhões em ativos como a BR Distribuidora, Braskem, Fábrica de Fertilizantes (Fafens) e a Transpetro, como um “desmonte” e “privatização” da empresa, indicando que as subsidiárias atuam em segmentos de grande rentabilidade.

O conselheiro lembrou que no Orçamento da União para 2016 os recursos destinados à Transpetro foram reduzidos em R$ 1 bilhão frente ao último ano. Também na BR Distribuidora, o orçamento destinado foi reservado “para fins de manutenção”.

Raildo Viana, representante dos trabalhadores no colegiado da Transpetro, se disse surpreendido com a “alarmante” notícia da venda da subsidiária “como todos os colegas trabalhadores”. “Estou pedindo maiores e imediatos esclarecimentos tanto à diretoria financeira da Transpetro como também ao próprio Conselho de Administração da companhia. Registro meu repúdio total a esta iniciativa”, reiterou.

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