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Venda de veículos bate recorde em janeiro, mas indústria prevê ano difícil

Cleide Silva, de O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2014 | 21h 35

Desempenho foi impulsionado por promoções de estoques ainda sem a alta do IPI, em vigor desde o mês passado

SÃO PAULO - Com promoções e uma certa corrida às lojas para aproveitar os estoques de carros sem a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em vigor desde o início do ano, a indústria automobilística registrou no mês passado o melhor janeiro de sua história. Foram vendidos 300,1 mil automóveis e comerciais leves, 1% a mais que no mesmo mês de 2013, até então recorde para o setor. Em relação a dezembro, contudo, houve queda de 10,7%.

Somando caminhões e ônibus, as vendas totalizaram 312,6 mil unidades, apenas 0,4% acima do resultado de um ano atrás, e 11,6% abaixo no comparativo com dezembro, tradicionalmente forte para o setor.

O fato de começar o ano com discreta alta nos negócios, contudo, não deve ser tendência daqui para a frente. "Este ano vai ser muito difícil", prevê o diretor da Ford, Rogelio Golfarb.

Além dos problemas macroeconômicos, como crescimento baixo do Produto Interno Bruto (PIB) e crédito caro, o ano terá jogos da Copa e eleições, dois fatores que podem influenciar nos negócios, afirma o executivo.

Indústria e revendedores reconhecem que o desempenho de janeiro é decorrente da oferta de estoques com IPI menor. No fim de dezembro, só as revendas tinham em seus pátios 289,4 mil veículos que foram faturados no fim do ano com o desconto do IPI, que estava em vigor desde maio de 2012. Segundo as montadoras, atualmente há poucos carros com IPI antigo nas lojas.

"Tradicionalmente, o primeiro mês do ano costuma ser um período mais fraco para vendas de automóveis. Porém, os estoques contavam com veículos ainda com desconto no IPI, e esse foi o fator relevante para o crescimento", diz Flavio Meneghetti, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O ano de 2013 encerrou com queda de 0,9% nas vendas em relação ao anterior, o primeiro resultado negativo em dez anos. Para 2014, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta aumento de apenas 1,1%, para 3,8 milhões de unidades.

Segundo Golfarb, apesar do resultado positivo de janeiro, será necessário esperar até o fim do primeiro trimestre para uma avaliação mais detalhada do impacto que pode ter a volta gradual do IPI.

Em janeiro, a alíquota para modelos com motor 1.0 subiu de 2% para 3% e, em julho, volta a taxa integral de 7%. Para modelos até 2.0 flex o imposto passou de 7% para 9% e vai a 11% em julho e de 8% para 10%, indo a 13% nas versões a gasolina.

Em janeiro também houve reajustes de preços (de cerca de R$ 1,5 mil) em razão da inclusão de airbag e freios ABS em modelos de entrada (mais baratos) que ainda não tinham os itens de segurança que passaram ser obrigatórios.

Produção. Além do comportamento das vendas internas, há preocupação com a produção, que encerrou o ano passado com volume recorde de 3,74 milhões de unidades, após alta de quase 10% ante 2012.

Segundo Golfarb, as exportações para a Argentina devem cair este ano em razão das restrições que o país impôs à compra de veículos brasileiros.

O impacto da substituição de carros importados por nacionais, que também ajudou a impulsionar a produção, tende a ser menor este ano. A Anfavea projeta praticamente um empate com o resultado de 2013.

Liderança. A Fiat manteve a liderança em janeiro, com 21% de participação nas vendas de automóveis e comerciais leves, seguida por Volkswagen (18,4%) e General Motors (18%). O modelo mais vendido segue sendo o Gol (21,6 mil unidades). Na sequência estão Fiat Uno (13,6 mil) e Ford Fiesta (13,1 mil).

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