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Vendas de caminhões caem 12%, apesar das medidas de socorro do governo

Cleide Silva - O Estado de S. Paulo

04 Julho 2014 | 21h 44

O governo liberou crédito e acabou de vez com a cobrança de IPI, mas o mercado não reagiu e pode fechar o ano com um resultado parecido com o de 2012, quando as vendas despencaram 

O governo liberou crédito mais barato, desburocratizou o processo de financiamento e isentou de vez a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas o mercado de caminhões ainda não reagiu. As vendas caíram 12,6% em relação ao primeiro semestre de 2013, totalizando 64,6 mil unidades.

A previsão de fabricantes e analistas é de que ocorra uma reação na segunda metade do ano, mas não o suficiente para reverter toda a queda. Os números finais devem ficar próximos aos de 2012, quando foram vendidos 139 mil caminhões. As vendas naquele ano despencaram quase 20% em relação ao volume recorde de 2011, de 172,8 mil unidades, após reajustes de preços em razão da mudança da tecnologia dos motores, que passaram a adotar a norma Euro 5.

“Comecei o ano prevendo crescimento de 3% a 5% nas vendas, mas agora já trabalho com uma queda de dois dígitos, mesmo que ocorra uma melhora nos próximos meses”, diz o presidente da MAN Latin America, Roberto Cortes. Em junho foram vendidos 10,7 mil caminhões, queda de 17% ante maio e de 18% em relação a igual mês do ano passado.

André Beer, da André Beer Consult, lembra que o mercado de caminhões acompanha o ritmo da economia, que está desacelerando. “Num quadro desses, as empresas não adquirem caminhões porque custam caro e não terão uso, já que não há produto a ser transportado.”

Beer e Cortes acreditam em uma melhora do mercado depois da Copa. “Mas não haverá tempo de recuperar a queda até agora”, diz Beer. Ele prevê redução de “10% ou mais” na comparação com o total do ano passado, de 154,5 mil unidades.

Corte na produção. Todas as fabricantes de caminhões do País já adotaram medidas de corte de produção, como férias coletivas, lay-off (suspensão de contratos de trabalho) e programas de demissão voluntária (PDVs). “No segundo semestre há riscos de as empresas terem de fazer ajustes no quadro de pessoal, pois não dá para manter essas medidas permanentemente”, afirma Beer.

Na MAN, que também produz caminhões da marca Volkswagen, já foram adotadas férias coletivas e um grupo de 200 trabalhadores está em lay-off desde março. “Vamos avaliar novas medidas, pois queremos evitar demissões porque esperamos que seja uma questão momentânea”, afirma Cortes.

A Mercedes-Benz cortou um turno de trabalho na fábrica do ABC paulista, deu férias coletivas, abriu um PDV para 2 mil pessoas (obteve 1,1 mil adesões) e colocou 1,5 mil funcionários em lay-off neste mês, além de dar férias para o pessoal da unidade de Juiz de Fora (MG).

“Como ainda estamos no início do segundo semestre e com base nos resultados obtidos até agora no mercado brasileiro, não conseguimos prever uma recuperação nas vendas de caminhões para os próximos meses. Por isso, se for necessário, continuaremos a estudar novas medidas de adequação da produção”, informa a empresa.

Na segunda-feira, a Ford volta a interromper a produção de caminhões em São Bernardo do Campo (SP) por dez dias úteis. A empresa já havia dado folgas coletivas em fevereiro e abril.

Ainda assim, a Ford mantém para agosto a volta da produção dos novos caminhões da Série F, que gerou 197 novos postos de trabalho no primeiro trimestre. Esses modelos estavam fora de linha desde 2011.

Novas marcas estão adiando planos, embora afirmem não ter ligação com o atual cenário. A DAF, que abriu fábrica em Ponta Grossa (PR) em outubro, deixou para 2015 o início da produção de caminhões extrapesados, antes previsto para este ano. A Metro-Schacman vai atrasar em um ano a inauguração da fábrica em Tatuí (RS), anunciada para a metade de 2014.