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Economia

Brasil

Vendas de carros no Brasil regridem quase uma década

País caiu da 4ª para a 7ª posição no mercado mundial de veículos; China lidera o ranking global

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Jamil Chade, correspondente,
O Estado de S.Paulo

02 Março 2016 | 15h44

GENEBRA - As vendas de veículos no Brasil regridem em quase uma década e o mercado nacional desaba no ranking internacional dos maiores do mundo. Dados apresentados nesta quarta-feira, 2, pelas montadoras indicaram que o Brasil passou do quarto maior mercado do mundo de veículos em 2014 para o sétimo. A queda em termos porcentuais foi de 27%, a segunda pior do mundo e superada apenas pelos russos, sob embargo comercial. 

Os dados foram apresentados durante o Salão do Automóvel em Genebra, um dos mais importantes do mundo. "Depois de registrar anos de crescimento, vemos em 2015 uma confirmação de algo que já havia começado em 2014, que era a queda de vendas", explicou Yves van der Straaten, secretário-geral da Organização Internacional de Construtores de Automóveis (OICA).  "O que nos assusta, porém, é que a crise se acentuou em 2015 ", disse. 

"Lamentavelmente, o Brasil passou de ser o quarto maior mercado de carros do mundo para ocupar apenas a 7a colocação", indicou. Em 2014, a queda foi de 15%, contra outros 27% em 2015. "Houve um colapso", declarou o executivo. 

Em 2012, no auge das vendas, 3,8 milhões de carros foram matriculados no Brasil. Em 2015, o número é de 2,5 milhões, o equivalente ao que existia em 2007. Naquele ano, 2,46 milhões de carros foram produzidos Com o desempenho, o Brasil passa a ser superado pelo Reino Unido, Índia e Alemanha. 

A produção também caiu, em  23%, para um total de 2,4 milhões de unidades. A situação brasileira acabou afetando toda a América do Sul, que  voltou a ter patamares de venda de onze anos atras e com uma queda anual de 19,8% e 20,7% em produção. "Estamos de volta em 2005", indicou Straaten. 

O caso argentino, porém, é menos dramático que o do Brasil. Em 2015, a redução de vendas foi de apenas 1%. Mas, em 2014, a queda havia sido de 36%. "Acreditamos que a situação argentina vai melhorar com a volta do país ao mercado financeiro", disse.

China. Se a situação brasileira preocupa as multinacionais, o cenário é ainda de certa estabilidade na China. Em 2015, mesmo com a desaceleração do crescimento, as vendas de carros tiveram uma alta de 5%, contra uma elevação de 3% na produção. "A China continua sendo o maior mercado do mundo", disse. 

Mesmo nos EUA, as taxas de crescimento levaram o setor a superar as vendas que existiam antes da quebra do Lehman Brothers, em 2008. A América do Norte registrou um crescimento nas vendas de 6,2% em 2015. "Estamos bem acima da taxa registrada antes da crise", explicou o secretário-geral. No total, a região já vende 1,6 milhão de carros a mais que em 2005. Já a produção aumentou em 3%.

Apesar do bom nomento, a América do Norte perdeu espaço para a China, onde está hoje 27% da produção mundial de carros. Em 2005, a taxa era de apenas 9%. EUA, México e Canadá representam 20% da produção mundial. Hoje, Japão e Coreia representam 15%, contra 20% para a Europa. 

Segundo as montadoras, existem hoje 1,2 bilhão de carros nas ruas do mundo, um aumento de 4% em comparação a 2014. Para 2016, as previsão é de um crescimento de 2%. 

Hoje, existem em média 180 carros para cada mil pessoas. No Brasil, a taxa é de 207, contra 808 nos EUA. Na China, apesar de liderar a produção mundial, a taxa é ainda de 108 carros por cada mil pessoas, contra apenas 22 na Índia. 

 

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