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Vendas do varejo retratam a intensidade da recessão

- Atualizado: 13 Março 2016 | 03h 00

O volume de vendas no varejo caiu 1,6% entre dezembro e janeiro e 13,3% entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016, acentuando a crise já aguda do setor observada desde o ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda foi generalizada, mas os maiores impactos negativos vieram de móveis e eletrodomésticos (-24,3% em relação a janeiro de 2015), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-5,8%), combustíveis e lubrificantes (-14,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-12,5%) e tecidos, vestuário e calçados (-13,8%). A venda de veículos cedeu 18,9% e a de materiais de construção, 18,5%.

Os consumidores foram atingidos por inflação, perda de emprego e renda e pela premência de honrar compromissos sazonais como o IPVA, o IPTU, as matrículas e o material escolar dos filhos.

Foram cortadas despesas com alimentos e produtos de higiene e limpeza, como se vê nas vendas de supermercados (-5,7% comparadas às de um ano antes). Tem tudo a ver com a inflação de alimentos de 2,28% em janeiro puxada por preços de tomate, cebola, batata, alho, feijão, hortaliças, farinha e açúcar – itens de difícil substituição. O cenário de janeiro foi considerado “horroroso” pelo economista Marco Antonio Caruso, do Banco Pine.

Como notou a especialista Isabella Nunes, do IBGE, a pressão inflacionária visível nos alimentos “faz com que consumidores se ajustem a marcas mais baratas” e, em consequência, caem as receitas. Como explicação, Isabella lembrou que a massa real de salários caiu 10,4% e o número de empregados, 2,8% no período.

A piora das condições macroeconômicas no trimestre em curso poderá agravar a situação do varejo, com menos crédito e mais juros cobrados dos consumidores, sinais crescentes de inadimplência e inflação ainda muito alta.

O varejo revela que as famílias adiam a compra de móveis e eletrodomésticos, protelam a aquisição de itens essenciais ao aprimoramento escolar ou profissional, como equipamentos de informática e comunicação, e compram menos livros, jornais e revistas.

O comércio varejista representa menos de 10% do PIB, mas é um bom termômetro do ânimo do consumidor. Se a queda não é ainda mais intensa é provável que isso se deva às dezenas de milhões de pessoas que preservam a renda, como aposentados do INSS, servidores públicos e beneficiários de programas sociais. 

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