Vendas foram ajudadas por saques no FGTS

Pode ter sido transitória, portanto, a melhora das vendas em abril

O Estado de S.Paulo

27 Junho 2017 | 03h00

O que era apenas provável agora está confirmado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC): do total de R$ 16,6 bilhões sacados das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em março e abril, 43% (ou R$ 7,2 bilhões) foram destinados ao consumo no varejo. O estudo da CNC baseou-se no comportamento do volume de vendas e de preços no varejo apurados na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Talvez seja ainda mais exato concluir que, sem o aumento de gastos com consumo propiciado pelos saques no FGTS, a PMC de abril não tivesse exibido um aumento do faturamento de 1% em relação a março.

E, se os saques no FGTS foram tão importantes para o varejo, pode ter sido transitória, portanto, a melhora das vendas em abril. É o que sugere o Indicador de Propensão ao Consumo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), mostrando que 58% dos consumidores planejavam reduzir seus gastos neste mês, pois as contas estão apertadas.

Para 42% das pessoas ouvidas na pesquisa, as contas estão “no zero a zero, sem sobra nem falta de dinheiro”, e 37% dos pesquisados “dizem estar no vermelho, sem conseguir pagar todas as contas”. Apenas 15% afirmam estar com sobra de dinheiro no fim do mês.

Segundo a CNC, foi nos ramos de vestuário e calçados que o consumo mais cresceu, com aumento de mais de 10% em relação a igual mês do ano passado. É um ritmo não registrado desde o primeiro bimestre de 2010, quando a alta das vendas desses itens foi de 11,9% em relação a igual período de 2009. Nos hiper e supermercados, o aumento do consumo foi o maior em três anos: 3,5% entre abril de 2016 e abril de 2017.

As pesquisas da CNC e da CNDL deixam evidente o grau de dificuldades que os consumidores enfrentam em decorrência do desemprego elevado e da recuperação lenta da economia e dos salários. Os dados positivos que permitem antecipar um aumento da atividade econômica no segundo semestre são a queda rápida da inflação, que possibilita preservar o poder aquisitivo dos trabalhadores, e o recuo do juro básico. Nos próximos meses, se caírem os juros ativos cobrados pelos bancos, os consumidores poderão voltar a tomar crédito.

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