Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Volkswagen negocia adesão ao plano de proteção ao emprego em Taubaté

Caso se concretize, será a segunda fábrica da montadora alemã no País a aderir ao programa que prevê redução da jornada de trabalho e corte nos salários

IGOR GADELHA, Estadão Conteúdo

23 Setembro 2015 | 18h33

SÃO PAULO - Após aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a Volkswagen negocia agora a adesão ao plano que prevê redução da jornada de trabalho e de salários na unidade de Taubaté, no interior paulista. De acordo com a montadora e o sindicato dos metalúrgicos da região, os detalhes do programa ainda estão sendo negociados.

O sindicato adianta que a ideia é de que o PPE em Taubaté estabeleça redução de 20% da jornada e dos salários pagos pela empresa. Para o funcionário, no entanto, a perda será de 10%. A outra metade será bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), no limite de até R$ 900,84, como estabelece a legislação do PPE. Segundo a entidade, a previsão é de que o plano entre em vigor no início de outubro e dure seis meses, com possibilidade de dobrar o prazo.

O sindicato lembra que a adesão ao PPE já tinha sido proposta pela empresa e aprovada pelos trabalhadores no acordo que marcou o encerramento da greve de 12 dias na fábrica de Taubaté, em agosto. Os detalhes, contudo, não foram fechados na época. Pela negociação, a montadora também reverteu as 43 demissões anunciadas pela companhia e abriu um Plano de Demissão Voluntária (PDV) e um Programa de Aposentadoria Antecipada.

Procurada, a Volks não deu detalhes da negociação. Em nota, a montadora declarou apenas que "está em contato com o sindicato de sua unidade em Taubaté no sentido de avaliar a adesão e implementação" do PPE. Caso se concretize, será a segunda fábrica da Volkswagen a aderir ao programa no País. No último dia 17 de setembro, os metalúrgicos da montadora em São Bernardo aprovaram a adesão ao plano com redução de 20% da jornada e perda de 10% dos salários.

Em todo o Brasil, será a quinta fábrica de grandes montadoras a aderir ao PPE. Além da unidade de São Bernardo da Volks, Ford e Mercedes-Benz aderiram ao plano em suas fábricas instaladas na mesma cidade. Em ambos os casos, o plano prevê redução de 20% da jornada de trabalho e 10% dos salários recebidos pelos trabalhadores. A fabricante de máquinas agrícolas Caterpillar também aderiu ao programa em sua fábrica em Piracicaba (SP).

Paradas. Uma assembleia para explicar os detalhes do PPE aos trabalhadores de Taubaté estava prevista para esta quinta-feira (24). O encontro, contudo, foi suspenso pelo sindicato em razão das paradas de produção que a Volks vem adotando na fábrica desde a semana passada, por problemas com fornecedores. Em razão da falta de peças, o sindicato afirma que a montadora dará folga aos trabalhadores do primeiro turno nesta quinta-feira, folga que poderá ser estendida para funcionários dos outros dois turnos.

Pelo mesmo motivo, a empresa já tinha dado "day-off" aos trabalhadores do segundo turno desta quarta-feira (23) na fábrica, onde produz o modelo Up! e o excedente do Gol e Voyage não fabricados em São Bernardo. Antes disso, a montadora já tinha dado folga a operários de alguns turnos nas últimas sexta (18) e segunda-feira (21). A Volks confirmou as paradas por falta de peças dos últimos dias.

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