Sandra Carvalho/Estadão
Sandra Carvalho/Estadão

Volume de serviços volta a subir após quatro quedas consecutivas

Apesar da interrupção na sequência de quedas, o setor é o que tem apresentado maior dificuldade de recuperação e caminha para fechar 2017 no negativo pelo terceiro ano consecutivo

Daniela Amorim, Broadcast

12 Janeiro 2018 | 09h02

RIO - O volume de serviços prestados teve alta de 1,0% em novembro ante outubro, após a queda de 0,8% registrada no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta é a primeira alta após quatro meses de quedas consecutivas. O resultado foi o melhor desempenho para o mês desde 2013, quando também tinha crescido 1,0%. 

Na comparação com novembro do ano anterior, houve redução de 0,7% em novembro deste ano, já descontado o efeito da inflação. A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 3,2%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 3,4%.

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"As atividades de Informação e comunicação e de Transportes puxam essa alta nos serviços. Os Serviços prestados às famílias cresceram também, mas têm um peso pequeno na pesquisa", disse Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

 

Apesar do resultado positivo no mês, o setor caminha para fechar 2017 no negativo pelo terceiro ano consecutivo. Mas as perdas já estão menores, conforme mostra a evolução da taxa acumulada em 12 meses. A queda de 3,4% nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado, é o desempenho menos negativo desde novembro de 2015, quando a perda estava em 3,1%.

"A taxa em 12 meses descolou o patamar de -4% e está ascendente, embora ainda negativa. Os serviços estão chegando quase ao patamar de 2015, mas ainda falta um 'gap' para o patamar 0%. Aí partir daí a gente pode dizer que setor está crescendo. A recuperação dos serviços é um processo de médio prazo, não é imediato. O patamar ainda é negativo, mas menos negativo que nos últimos 24 meses", disse Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

O economista Luiz Castelli, da GO Associados, explica que essa dificuldade na retomada do setor está relacionada à noção de renda permanente das famílias. "Os serviços estão relacionados ao padrão de vida das pessoas. Quando os consumidores percebem alguma melhora, pensam em comprar uma geladeira nova ou uma TV, mas para comprometerem seu fluxo de renda com um serviço fixo, como uma academia, têm maior reticência", avalia.

Segundo Saldanha, como os governos federal, estaduais e municipais enfrentam uma crise fiscal, houve corte de gastos e menos contratações de serviços. "Então a gente espera que o setor privado e o industrial alavanquem o setor de serviços", apontou ele.

Especialistas também apontam que o crescimento apurado nas vendas do varejo ampliado (2,5%) e na produção industrial (0,2%) no penúltimo mês de 2017 na comparação com outubro é um dos motores do avanço do volume de serviços, já que o setor está altamente relacionamento ao andamento do restante da economia.

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Por setores.  O segmento de serviços prestados às famílias registrou um avanço de 0,9% em novembro ante outubro. Os Serviços de informação e comunicação subiram também 0,9% na passagem de outubro para novembro.

Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio tiveram um aumento de 0,6%; Serviços profissionais, administrativos e complementares, alta de 0,2%; e o segmento de Outros Serviços registrou estabilidade (0,0%).

O agregado especial das Atividades turísticas apresentou elevação de 0,9% em novembro ante outubro. /COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E THAÍS BARCELLOS 

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