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Volvo não fará novos investimentos no Brasil em 2016

Sem perspectiva de melhora para 2016, a montadora sueca de caminhões e ônibus sinalizou que deve realizar novos cortes na sua produção

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André Ítalo Rocha,
O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2016 | 13h26

SÃO PAULO - Com o aprofundamento da crise econômica no Brasil e a forte queda nas vendas de veículos, a Volvo não pretende anunciar nenhum novo investimento no País em 2016, afirmou nesta terça-feira, 16, o presidente interino da montadora sueca na América Latina, Carlos Morassutti. "Apenas vamos manter o que já vem sendo feito, estamos olhando para esse ano no sentido da manutenção", disse.

Na avaliação do executivo, a decisão de não investir reflete uma mudança no cenário econômico, que tem afetado os segmentos de caminhões e ônibus, nos quais a Volvo atua com maior ênfase no Brasil. "Há cinco anos, nós esperávamos que o mercado como um todo de caminhões pesados e semipesados tivesse em 2016 um volume de 100 mil unidades vendidas. Agora nós estamos prevendo um mercado de 35 mil unidades. Temos de nos adaptar a essa nova realidade", disse.

Sem uma perspectiva de melhora para 2016, a Volvo sinaliza que deve realizar novos cortes na sua produção. "Fizemos ajustes para atender em 2015 a um mercado de 70 mil unidades. Como estamos esperando uma redução para cerca de 40 mil em 2016, é claro que temos um excesso de trabalhadores", afirmou Morassutti.

Ele disse ainda que a empresa fez um acordo com o sindicato dos trabalhadores que garante estabilidade de emprego até março deste ano. "Em março vamos reavaliar o cenário e discutir com o sindicato as possibilidades, como lay-off (suspensão temporária dos contratos), férias coletivas, uso de bancos de horas ou o PPE (Programa de Proteção ao Emprego, do governo federal", declarou. Segundo Morassutti, a fábrica da Volvo em Curitiba tem hoje um excesso de 15% a 20% de sua mão de obra, de aproximadamente 3,4 mil trabalhadores. 

A Volvo volta a paralisar toda a sua produção de caminhões na semana que vem, com retorno marcado para o dia 7 de março. A empresa espera uma nova queda na venda de caminhões pesados e semipesados em 2016, em torno de 15%, para cerca de 35 mil unidades. A Volvo conta com duas fábricas no Brasil, uma em Curitiba, no Paraná, e outra em Pederneiras, em São Paulo. Ao todo, emprega cerca de 4 mil trabalhadores.

Resultados em 2015. A Volvo registrou, nos segmentos de caminhões pesados e semipesados, um total de 6.722 unidades vendidas em 2015, queda de 64% em relação às 18.832 unidades comercializadas em 2014. No segmento de ônibus, a montadora sueca teve baixa de 48%, ao vender 864 unidades, contra 1.748 unidades no ano anterior.

"Não fizemos dinheiro no Brasil em 2015", resumiu o presidente interino da Volvo na América Latina, Carlos Morassutti. "E 2016 deverá ser outro ano desafiador", disse. Segundo ele, o Brasil é o segundo maior mercado da Volvo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Morassutti disse ainda que a montadora sueca tem "feito dinheiro" em outros países da América do Sul, citando o Peru, a Colômbia, o Chile e a Argentina. "E temos vistos bons sinais de recuperação na Argentina", afirmou o executivo, em referência à gestão do novo presidente argentino, Mauricio Macri, que assumiu o cargo em dezembro do ano passado. 

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