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Yellen deixa o Fed depois de 14 anos com a menor taxa de desemprego em duas décadas

Nos quatro últimos anos, em que atuou como presidente, Janet Yellen resistiu aos pedidos de elevação de juros mais rapidamente

Dow Jones Newswires

02 Fevereiro 2018 | 21h06

Janet Yellen se despede hoje do Federal Reserve, o banco central dos EUA, após 14 anos na instituição, sendo os quatro últimos como presidente, tendo levado a economia americana à menor taxa de desemprego em quase duas décadas, resistindo aos pedidos de elevação de juros mais rapidamente.

O caminho paciente que ela traçou permitiu ao Fed começar a reverter, sem grandes turbulências, as medidas agressivas de estímulo que ela defendeu com força durante e após a crise financeira de 2008. Especialista em mercado de trabalho, Yellen demandou maior atenção aos custos do desemprego ao dirigir o Fed, defendendo uma redução lenta das medidas de liquidez ainda em vigor.

Seu legado está apenas parcialmente escrito. Uma parte fica na dependência de se verificar se o Fed terá condições de continuar a aumentar os juros gradualmente, mas não tão lentamente a ponto de os baixos custos de empréstimos gerarem uma bolha de ativos que resulte em recessão – como aconteceu em 2001 e 2007.

Na última reunião de política monetária presidida por Yellen, quarta-feira, o Fed decidiu manter inalterada uma taxa de juros na faixa de 1,25% a 1,50%.

Sob novo comando. O presidente dos EUA, Donald Trump, optou por não oferecer a Yellen um segundo mandato como líder do Fed. Em vez disso, nomeou para o cargo Jerome Powell, que atua no Fed desde 2012. Powell herda um quadro econômico promissor. O crescimento da economia americana está estável, o mercado de ações está em alta, a geração de vagas de trabalho é robusta e o desemprego está no menor nível em 17 anos.

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Colegas dizem que Yellen será lembrada por reforçar o compromisso do Fed com a geração de emprego, que durante décadas ficou em segundo plano, já que a prioridade era manter a inflação na meta.

Como vice-presidente do Fed, entre 2010 e 2014, Yellen foi forte defensora de medidas sem precedentes – como a manutenção dos juros de curto prazo perto de zero e a compra de títulos para baixar as taxas de longo prazo – para aumentar a geração de empregos e o crescimento econômico. Ao se tornar presidente da instituição, as pressões para aumento de juros cresceram, mas Yellen demonstrou habilidade em convencer seus colegas de que o momento exigia cautela. O Fed esperou até dezembro de 2015 para começar a aumentar as taxas.

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