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Kevin Lamarque/Reuters

Yellen enfrenta Congresso dos EUA em meio a incertezas sobre política do Fed

Presidente do banco central dos EUA faz discurso na Câmara e no Senado em um momento de crescentes dúvidas sobre o futuro da política monetária do país

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Associated Press

10 Fevereiro 2016 | 11h02

WASHINGTON - A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, vai falar no Congresso norte-americano nesta quarta e quinta-feira, num momento de crescentes incertezas sobre o futuro da política monetária do Fed, como é conhecido o banco central dos EUA.

Desde que o Fed decidiu elevar os juros básicos pela primeira vez desde 2006, em dezembro último, o cenário econômico ficou enevoado em meio à queda dos mercados acionários, a fraqueza da economia mundial e a forte desvalorização do petróleo. Com esse pano de fundo, os congressistas provavelmente vão questionar Yellen sobre o provável ritmo de novos aumentos nos juros e sobre o papel do Fed na sustentação da economia dos EUA.

Depois de falar ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, a partir das 13h (de Brasília) desta quarta-feira, Yellen vai discursar amanhã no Comitê Bancário do Senado.

O relatório de emprego de janeiro, divulgado na semana passada, comprometeu a probabilidade e tornou incerto o momento de novas elevações de juros. O documento mostrou que os salários dos trabalhadores nos EUA aumentaram no mês passado e maior confiança entre os que procuram emprego, embora o ritmo de contratações tenha diminuído.

O Fed, então, deve voltar a aumentar juros no curto prazo? Há menos certeza agora do que quando o Fed elevou a meta para sua principal taxa de juros em 16 de dezembro, de um nível próximo de zero para o intervalo de 0,25% a 0,50%. As ações ficaram pressionadas desde então. No acumulado do ano, o índice Dow Jones tem perdas de 8,1%, o Standard & Poor's 500, de 9,4%, e o Nasdaq, de 14,8%.

Não se sabe o quanto Yellen falará sobre a possível trajetória para altas de juros adicionais. Ela e outras autoridades do Fed têm enfatizado que suas decisões dependem dos "dados", ou seja, se basearão nos indicadores econômicos mais recentes.

Economia fraca. Vários dos dados que foram publicados desde dezembro foram decepcionantes. A produção manufatureira despencou, os lucros do setor corporativo diminuíram e os estoques das empresas aumentaram. A fraqueza do petróleo, por sua vez, prejudicou as petrolíferas.

Por outro lado, o mercado de trabalho, a parte mais vital da economia - continua sólido. Os ganhos dos trabalhadores estão até mesmo começando a mostrar seus primeiros ganhos significativos desde o fim da grande recessão, há seis anos. Há tempos, o Fed vem aguardando que os salários se fortaleçam para confirmar que o mercado de trabalho está tão robusto quanto sugerem o ritmo de contratações e a baixa taxa de desemprego, atualmente em 4,9%.

Após a primeira alta dos juros, em dezembro, a expectativa generalizada era que o Fed continuaria a elevar as taxas de forma gradual, mas constante, provavelmente a partir de março. No entanto, cresceram as preocupações de que a China, a segunda maior economia do mundo, possa estar desacelerando mais do que o esperado. Além disso, os preços do petróleo retomaram sua trajetória de queda.

O dólar também se fortaleceu, afetando o setor manufatureiro, cujas exportações caíram no ano passado pela primeira vez desde a recessão de 2009. Uma medida importante de atividade no setor vem apontando contração por quatro meses consecutivos.

Já o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu a uma taxa anual de apenas 0,7% no trimestre de outubro a dezembro, levando alguns analistas a levantar a hipótese de que ocorra uma nova recessão em um ou dois anos.

Sung Won Sohn, professor de economia da Martin Smith School of Business, na Universidade do Estado da Califórnia, prevê que Yellen deverá deixar aberta a porta para aumentos graduais dos juros, caso as condições do mercado se estabilizem e a economia se recupere. Alguns analistas acreditam que o testemunho dela irá repetir comentários feitos pelo vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, em discurso na semana passada.

Na ocasião, Fischer mencionou a recente turbulência nos mercados globais, a queda do petróleo e o dólar fortalecido. "Se essas ocorrências levarem a um aperto persistente das condições financeiras, poderão sinalizar uma desaceleração da economia global que, por sua vez, poderá afetar o crescimento e a inflação dos EUA", afirmou o vice do Fed.

Fischer lembrou, no entanto, que períodos anteriores de volatilidade nos mercados não tiveram impacto permanente na economia. "Simplesmente não sabemos" quando e em que ritmo virão as futuras altas de juros, disse.

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