Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Zaher deixa Estácio e fatia do fundo americano Advent atinge 10%

Empresário, que era um dos principais acionistas no grupo, zerou posição; fundo quer transformar Estácio em consolidadora

Cátia Luz, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2017 | 00h03

O fundo americano Advent voltou às compras nesta sexta-feira, 18, e aumentou sua fatia no grupo de educação Estácio para mais de 10%. Segundo fato relevante divulgado pela empresa carioca ontem, o FIP Rose, veículo utilizado pela Advent para comprar ações, já detém 10,48% do capital social da empresa.

A gestora de private equity (que compra participação em empresas) se tornou a terceira maior investidora da Estácio, atrás dos fundos Oppenheimer, Coronation e Fidelity, e já tem direito a duas cadeiras no conselho. Assim como fez com a Kroton, hoje líder de mercado, a Advent quer fazer da Estácio uma grande consolidadora do setor, afirmam fontes próximas ao fundo. Procurado, o Advent não comentou.

Hoje, em conversa com jornalistas, o empresário Chaim Zaher, que era um dos principais acionistas do grupo, afirmou que zerou a posição na companhia após um desgaste com o conselho de administração. O empresário discorda da proposta apresentada pelo colegiado de incluir no estatuto da empresa a obrigatoriedade de um prêmio de 30% em ofertas de controle. O intuito é transformar o grupo em uma companhia de controle pulverizado. Uma assembleia de acionistas foi convocada para o dia 31 deste mês para votar o assunto.

Na avaliação de Zaher, a proposta cria “uma barreira antieconômica ao investimento na companhia”, conforme escreveu em carta enviada ao conselho nesta semana. O empresário afirmou ainda que uma convocação para uma reunião do conselho para discutir a entrada da Estácio no ensino médio seria uma forma de inviabilizar a sua presença no colegiado, já que haveria conflito de interesses – o empresário é dono do grupo SEB, que tem a maior parte dos negócios voltada para esse segmento. Procurada, a Estácio preferiu não se manifestar.

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“Não quero brigar. Vou cuidar do meu negócio”, disse Zaher. Com o dinheiro da venda de sua participação na Estácio, cerca de R$ 435 milhões, o empresário quer investir no seu grupo, que reúne 252 escolas, 32 delas próprias, e quase 100 mil alunos. O SEB faturou cerca de R$ 500 milhões no ano passado. “Quero abrir o capital na bolsa em 2019 ou 2020. E estamos avaliando a compra de escolas.”

As ações ordinárias (com direito a voto) da Estácio fecharam nesta sexta em alta de 3,35%.

Retorno. A Advent voltou à área de educação em 2015, dois anos após ter vendido suas ações da Kroton, com a compra do Centro Universitário da Serra Gaúcha, de Caxias do Sul (RS). Segundo fontes, o fundo estaria disposto a investir até R$ 900 milhões para ficar com ativos que a Kroton teria de vender se a união fosse aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Como a fusão foi barrada em junho, essa munição desse se voltar à compra de ações da Estácio, garantem pessoas familiarizadas com o assunto.

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