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Zona do euro tem muito a fazer para reduzir dívida, diz diretor da S&P

MARIUS ZAHARIA E JEMIMA KELLY - REUTERS

24 Junho 2014 | 13h 49

Países da zona do euro ainda têm muito a fazer para reduzir a dívida e impulsionar o crescimento, além disso as classificações de risco de crédito não devem ser elevadas até as economias se tornarem mais saudáveis, afirmou nesta terça-feira o diretor de rating soberano para Europa, Oriente Médio e África da Standard & Poor's, Moritz Kraemer.

Kraemer disse à Reuters em entrevista que vê um "período de calma à frente" para os ratings na Europa. "A maior parte da lição de casa ainda precisa ser feita. O excesso de dívida em um ambiente de inflação muito baixa apresenta enormes riscos ao cenário de crescimento para a zona do euro", disse.

"Não há necessidade de elevar os ratings até que os fundamentos (econômicos) melhorem."

Kraemer disse que entre os países que fizeram os maiores avanços em reduzir a dívida estão Irlanda e Espanha, e ambos tiveram seus ratings elevados.

A S&P elevou a Irlanda em um grau, para A-, neste mês, citando seu cenário econômico melhor. No mês passado, a agência elevou a Espanha em um ponto, para BBB, por motivos similares.

Kraemer também disse que, se o Banco Central Europeu decidir adotar um programa de compra de ativos, conhecido como quantitative easing (QE), é improvável que isso tenha um impacto significativo sobre os ratings de crédito soberano.

Ele disse que o BCE não pode conduzir o QE da mesma maneira que o BC britânico. "Temos 18 membros na zona do euro, temos um mercado de ABS (títulos lastreados em ativos) muito menos desenvolvido por exemplo. Então acho difícil ver como o balanço patrimonial seria ampliado de maneira similar", disse ele.