Pic Basement/ Creative Commons
Pic Basement/ Creative Commons

Cresce a demanda por profissionalização na área de compliance

De acordo com dados do Instituto Brasileiro Governança Corporativa (IBGC), procura por aprimoramento tende a aumentar diante do mercado aquecido

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2017 | 05h00

A necessidade de desenvolver equipes mais capacitadas na área de compliance tem estimulado a procura por cursos do gênero no País. De acordo com dados do Instituto Brasileiro Governança Corporativa (IBGC), até o final deste ano, serão 12 cursos com 344 participantes realizados pelo órgão, previsão que tende a aumentar diante do mercado aquecido. Pode parecer pouco, mas até o ano passado, eram apenas 3 turmas com 89 integrantes.

Para a superintendente do IBGC, Adriane de Almeida, a crise político-econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos anos é um dos principais motivos para o aumento da procura por aprimoramento na área.

"Esse é o momento em que as companhias precisam se destacar e sobreviver, é natural que haja mais atenção aos riscos e busca por adequação. O compliance entra no radar, até mesmo porque tem impacto sobre o caixa da empresa em um momento delicado para todos", afirma.

++ Apenas 17% das estatais listadas na B3 estão em segmentos de governança mais elevados

Adriane de Almeida acredita que, passada a falsa impressão de que investir em compliance é um desperdício de dinheiro, o entendimento de que este é um investimento importante também impulsiona os cursos.

"Faz parte da evolução dos negócios pensar nesse assunto. Mas, além de investir na profissionalização, também é preciso analisar como essas ferramentas serão implementadas de fato na empresa, não basta só oferecer ou fazer cursos", alerta.

Ela acredita que, mais do que boa formação, garantir que as boas práticas estão de fato em uso é essencial para fortalecer a área de governança de uma companhia.

De olho nessas possibilidades, o Insper adicionou matérias relacionados ao assunto em toda a sua grade de cursos de pós-gradução voltados para negócios, como Finanças e Direito, conta o coordenador André Camargo. "Nos últimos cinco anos as empresas notaram que desenvolver a área de compliance é estratégico e estão dando prioridade a isso", diz. Além da demanda por cursos nas próprias empresas, há também profissionais que já buscam aprimoramento por conta própria. "Chegamos a ter fila de espera, há pessoas das mais diversas áreas que desejam conhecer melhor o que é governança corporativa e veem um bom mercado nisso.”

++ Aumento da demanda impulsiona mercado e salários na área de compliance

É o caso da advogada Sara Ferreiras, que atua na área do direito administrativo de grandes empresas. Morando em Goiás, ela notou que as companhias do Estado ainda tinham carência de uma área de compliance bem desenvolvida.

“Quis me especializar porque percebi essa deficiência profissional. Era uma porta se abrindo mesmo em um período de crise aqui no Brasil, uma boa oportunidade. E quando bem praticada, a governança gera resultados para as empresas. Então eu fui atrás de aprender sobre isso”, conta. Após fazer o curso no Insper, a advogada aposta nas pequenas e médias empresas como o próximo nicho a atrair profissionais com sólida formação em compliance.

Na avaliação de André Camargo, o aumento da procura por cursos gera um desafio para as instituições de ensino. “É difícil ensinar ética a alguém, pois este é um valor que ou temos ou não temos. Indo além do conteúdo, é preciso garantir que aquele profissional terá discernimento para enfrentar situações cotidianas desafiadoras dentro de uma empresa que nem sempre cumpre as regras que ela mesma definiu”, comenta.

++ Pesquisa indica que 45% das empresas possuem baixo índice de compliance

Para o coordenador da pós-graduação em gestão de risco de fraudes e compliance da FIA Escola de Negócios, Fernando de Almeida, a procura por profissionalização nessas áreas continuará crescendo no médio prazo. No entanto, é o mercado que ditará os rumos dessa história.

“O crescimento depende da continuidade desse ambiente que exige um nível cada vez maior de compliance, com padrões éticos elevados. A área precisa evoluir junto, até porque já notamos a chegada de alunos cada vez melhor preparados e buscando por novidades. Ou seja, teremos de nos reinventar também”, prevê.

Mais conteúdo sobre:
Governança Corporativa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.