Empresas familiares precisam definir regras de sucessão para se manter no jogo

Empresas familiares precisam definir regras de sucessão para se manter no jogo

Especialistas destacam que é fundamental pensar na longevidade dos negócios e tomar medidas que ampliem o patrimônio da companhia

Sara Abdo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2017 | 13h49

SÃO PAULO - Planejar o futuro é um grande desafio para as empresas familiares, que dependem do interesse das novas gerações em tocar o dia a dia da empresa. Os especialistas destacam que é fundamental pensar na longevidade dos negócios e tomar medidas que ampliem o patrimônio da companhia. No Brasil, as estatísticas não são animadoras: apenas 5% das empresas estão sob o comando da quarta geração, segundo a consultoria PWC.

“Se as empresas familiares querem se perpetuar, é preciso planejar”, diz Carlos Mendonça, sócio da PwC, que levantou dados de 40 empresas familiares que não têm ações na Ibovespa. A mesma pesquisa mostra que apenas 19% das empresas familiares do Brasil têm um planejamento sucessório definido. 

Mendonça explica que é importante que as regras sejam bem definidas para evitar conflitos e facilitar a escolha dos sucessores em cada cargo. “É importante que estejam estabelecidas a idade para a aposentadoria, a formação necessária para ingressar na empresa e o processo de solução para os conflitos entre as gerações, frequentemente provocados por projetos diferentes para o futuro da empresa.”

Em 2009 o Laboratório Blanver, empresa familiar que atua na produção de medicamentos, estruturou seu planejamento sucessório entre os herdeiros e formou um conselho administrativo para elaborar projetos de médio prazo. As mudanças permitiram que a companhia se organizasse melhor e conseguisse, em 2015, expandir seus negócios com a aquisição da farmacêutica CYG Biotech.

O laboratório incluiu no projeto de sucessão familiar o family office, uma comissão interna que dá apoio e suporte às novas gerações, utilizando seus conhecimentos para ampliar as áreas de atuação da companhia.  

Os atuais gestores da companhia fazem atividades de apresentação da história da empresa para os herdeiros. Ronaldo Lorenzo, genro do proprietário e atual responsável pelo conselho, relata que a iniciativa tem rendido integração positiva. “As gerações se entrevistam, há uma curiosidade entre elas.” 

Domingos Ricca, fundador do escritório Ricca&Associados, que presta consultoria para empresas familiares vinculadas à Fiesp, elenca quatro pontos fundamentais para que a transição entre os herdeiros seja eficaz: palavra, carisma, cultura e perseverança. Esses aspectos precisam ser bem comunicados e entendidos por todas as gerações. “O atual gestor precisa conquistar seu sucessor para que ele queira seguir com as atividades da empresa”. 

No entanto, mesmo redes grandes como o Rei do Mate, fundado em 1978 e com uma carteira de 330 lojas franqueadas, ainda engatinham neste processo. Para Antônio Carlos Nasraui, sócio e sucessor na empresa, é muito cedo para apresentar a empresa às novas gerações. “Primeiro precisamos ver a aptidão, se gosta do negócio e o que querem do futuro. Não é nosso foco agora”, afirma o sócio do Rei do Mate, que faturou R$ 250 milhões em 2015.

Na terceira geração, o Hotel Cad’o’ro acaba de ser reinaugurado na rua Augusta, em São Paulo. Fabrizio Guzzoni, hoje diretor da empresa, não toma decisões em conjunto com a irmã. Ela recebe dividendos porque é sócia. Guzzoni afirma estar aberto para a participação dos sobrinhos, ainda jovens, mas diz que tudo depende do interesse deles pela hotelaria. “Se tiverem, serão treinados e aprenderam do zero, como eu aprendi”, diz Guzzoni, que ainda não estruturou um processo de sucessão na empresa, fundada em 1956 pelo avô.

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