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Empresas investem em serviços de nuvem para cortar custos

Investimento em ‘cloud computing’ ignora a crise econômica e cresce; para analistas, tendência é de crescimento do serviço

Ian Chicharo Gastim, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2015 | 07h00

A implementação de sistemas de “cloud computing” (computação em nuvem) tem crescido no Brasil, apesar da crise que impacta no faturamento das empresas e no acesso ao crédito. De acordo com especialistas, as vantagens do sistema para as empresas estão na gestão mais ágil e na otimização de custos.

De acordo com um levantamento da consultoria Frost & Sullivan, o mercado de “cloud computing” deve crescer 30% no Brasil até 2017 e movimentar US$ 1,1 bilhão. O aumento da procura por sistemas de nuvem reflete uma tendência no País, afirmam os especialistas.

A flexibilidade na gestão do custo de um serviço de nuvem é um atrativo para a implementação desse tipo de sistema, avalia Paulo Pagliusi, PhD em Segurança da Informação. Isso porque a empresa não precisa ter um custo fixo para manter seus servidores, podendo contratar um plano que se adapte às necessidades da companhia. 

“Existe um custo fixo quando se investe em um servidor físico, que não dá para diminuir e pode, às vezes, ficar ocioso. Já um sistema de nuvem é mensurável. Se não consumiu, não pagou. É um serviço autogerenciável”, diz Pagliusi.

Diretor comercial de serviços multi-indústria da HP, Renato Macedo avalia que o mercado brasileiro está mais maduro quanto ao uso do “cloud computing”. “O tema foi impulsionado pela crise, mas é uma tendência. As empresas têm amadurecido sobre como tirar vantagens de ambientes digitais”, diz. “As empresas hoje precisam de agilidade, de soluções rápidas, de colocar projetos para acontecer rápido, e o ‘cloud’ proporciona isso.”

Na HP, a procura pelo serviço cresceu 200% em 2014. Segundo Macedo, a computação em nuvem ajuda a companhia a montar sistemas de dados de forma mais rápida e eficiente, sejam eles cadastros de clientes ou informações fiscais. “As empresas veem o serviço de nuvem como um serviço estratégico, parceiro”, afirma Renato Macedo.

De acordo com Adhemar Silva, CIO da Compusoftware Solutions & Reseller, companhia especializada na venda de serviços de nuvem, o faturamento da empresa cresceu cerca de 150% no ano passado. 

“Esse cenário de crise tem uma contrapartida, a empresa olha para o corte de custos. E o investimento em nuvem reduz custos, aliado a um aumento de produtividade”, afirma.

Vice-presidente de Operações da Globalweb Corp, Marco Zanini afirma que a empresa também identificou um aumento da demanda por serviços de nuvem, com crescimento de 100% ao ano em faturamento nos últimos três anos. 

“É uma tendência do mercado, pois as empresas perceberam que existe um ganho financeiro real em mudar o modelo de compra de servidores para o modelo de serviços de nuvem. Em momento de crise, onde as empresas precisam economizar, isso casa com os benefícios oferecidos pelo ‘cloud’”, diz.

Pequenas empresas. Focado na oferta de serviços de nuvem para pequenas e médias empresas, o site Vouclicar.com registrou um crescimento de 500% na procura por serviços de nuvem desde julho do ano passado. “No caso das pequenas e médias empresas, não é uma questão tão do custo, porque ele é baixo, mas de ganho de eficiência”, afirma Leonardo Zysman, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios do site.

'Caso Snowden'. Após o ex-analista de sistemas da CIA Edward Snowden divulgar que o governo americano espionou empresas brasileiras, houve uma quebra de confiança em sistemas de nuvem, com servidores baseados nos EUA, afirma Paulo Pagliusi, presidente da Cloud Security Alliance Brasil, entidade que fomenta boas práticas de segurança em sistemas de nuvem.

Segundo uma pesquisa do órgão, só no Vale do Silício é esperada uma perda de cerca de US$ 35 bilhões para o período entre 2013 e 2016 com o descrédito em serviços de nuvem baseados nos EUA. “Isso foi bom para outros mercados, como o brasileiro e o europeu, para aumentar o market share das empresas que também oferecem serviços de nuvem”, diz Pagliusi.

O ‘caso Snowden’, porém, reforça a necessidade de mecanismos para proteger informações. Uma das soluções é a criptografia, que torna indecifrável as informações para quem não tem a chave para decodificá-las. “É interessante que se tenha um fornecedor de segurança ‘desplugado’ de onde a empresa guarda seus dados. É um conceito de segurança ter duas entidades diferentes manipulando os dados. Uma guarda e outra protege”, diz Marco Zanini, da Globalweb.

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