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Indústria investe mais na área ambiental, mas atenção ao tema ainda é limitada

Pesquisa da CNI com empresas de médio e grande porte mostra ainda que o impacto de mudanças climáticas sobre o negócio é levado em conta por 61% dos executivos consultados

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 16h01

RIO - Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com uma centena de  empresas de grande e médio porte revela que a atenção dada pela indústria nacional aos efeitos das mudanças climáticas teve um salto nos últimos cinco anos, mas ainda é limitada. Para 75% dos entrevistados a preocupação com o tema cresceu neste período. Seis em cada dez respondentes afirmam que o grau de atenção dispensado às mudanças do clima é médio (45%) ou alto (16%), mas 36% ainda o avaliam como baixo ou muito baixo.

O aumento da visibilidade do assunto entre as empresas foi impulsionado, especialmente, pela maior conscientização (46,7%), a pressão global (18,7%), uma maior disseminação das informações sobre o assunto (17,3%) e a necessidade de adequação às leis e normas ambientais (13,3%).

Nos últimos dois anos 61% das médias e grandes empresas ampliaram investimentos na área ambiental. O mesmo porcentual pretende elevar os investimentos em sustentabilidade no próximo biênio.

Um total de 66% das empresas da amostra já adotaram ações para reduzir suas emissões de gás carbônico (CO2) - no caso das grandes empresas o porcentual é ainda mais elevado (74%).O impacto das mudanças climáticas sobre o negócio da companhia é levado em conta por 61% dos executivos ouvidos. 

A pesquisa foi realizada pelo Instituto FSB Pesquisa entre os dias 11 de junho e 6 de julho, com representantes - diretores e gerentes de Meio Ambiente - de cem empresas de 15 setores industriais: automotivo; cal; cimento; construção civil; mineração; papel e celulose; petróleo e gás; químico; têxtil; vidro; alumínio; carvão; energia; siderurgia; e sucroalcooleiro.

Entre os principais desafios apontados para o investimento em práticas sustentáveis, a falta de incentivos governamentais aparece em primeiro lugar, com 56%. Na sequência, estão o aumento de custos da empresa (39%) e a legislação inadequada no Brasil (25%).

O mercado de carbono, porém, ainda é uma realidade distante da indústria nacional. Os números mostram que 54% dos pesquisados afirmam estar informados ou muito bem informados sobre este mercado e, ainda, que 71,6% acreditam que a compra e venda de créditos de carbono em um mercado regulado no Brasil representaria uma boa oportunidade de negócio. No entanto, só 7% das empresas negociam créditos de carbono em mercados voluntários existentes no país.

Sustentabilidade. A pesquisa da CNI também mostra que seis em cada 10 empresas participantes avaliam como oportunidade de negócios a implantação de práticas ambientalmente sustentáveis. Na avaliação de 45% dos gestores que responderam o questionário, a oportunidade gerada pelo investimento é maior que o aumento de custos. Os números mostram também que três quartos das empresas - 74% - consideram que práticas de sustentabilidade impactam a competitividade do negócio.

De acordo com 66% dos entrevistados, o grau de engajamento de suas empresas em ações e práticas de sustentabilidade ambiental é alto ou muito alto. As vantagens de desenvolver projetos nesta área, conforme as respostas, são para a reputação/imagem da empresa, melhora de inserção no mercado e sustentabilidade dos negócios. Outro dado que chama a atenção é que 79% das médias e grandes companhias pesquisadas monitoram as práticas de sustentabilidade utilizando indicadores. Outras 67% têm metas para ações ambientais.

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