Investigações contra corrupção deixam legado positivo ao Brasil, avalia especialista

Investigações contra corrupção deixam legado positivo ao Brasil, avalia especialista

Para Norman Marks, companhias brasileiras estão aprendendo a importância de desenvolver departamentos de governança corporativa atuantes

Ana Neira, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 05h00

Até mesmo experiências aparentemente negativas podem trazer algo bom. Essa é a avaliação do especialista em gestão de risco e governança corporativa Norman Marks sobre os recentes escândalos envolvendo corrupção no Brasil. O norte-americano chega ao País no final deste mês para participar do 38° Congresso Brasileiro de Auditoria Interna no Rio de Janeiro.

Com mais de 20 anos de carreira, Marks foi responsável pela concepção e aplicação da Lei Sarbanes-Oxley (Sox), conhecida por ter reescrito as regras para a governança corporativa em relação à divulgação e à emissão de relatórios financeiros. Sua premissa é simples: as boas práticas dentro de uma empresa não são artigos acessórios, mas leis que devem ser cumpridas.

Prestes a chegar ao País que ganhou o noticiário por conta da má gestão dos negócios de grandes empresas, Marks vê as atuais investigações como um divisor de águas na cultura empresarial. “Será interessante discutir aí no Brasil como as organizações precisam repensar sua postura quando o assunto é corrupção e quais as lições que podemos tirar dos escândalos. No fim, acho que muitas companhias aprenderam uma lição positiva e importante com isso”, conta em entrevista exclusiva ao Estado.

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Segundo ele, mais do que implementar regras, é preciso haver uma forte fiscalização para garantir que elas estão sendo cumpridas e que há mecanismos para que isso acontença dentro das empresas. “É preciso organizar toda essa estrutura, não importa o tamanho da empresa. Uma coisa é colocar normas, outra é saber realmente o que acontece dentro da empresa e garantir as boas práticas”, explica.

No caso brasileiro, o especialistas acredita que, passados os efeitos negativos das investigações feita pela Polícia Federal, é natural que as empresas passem a valorizar cada vez mais seus departamentos de governança corporativa.

“Esse é um assunto crítico, mas cada vez mais, em qualquer país, as companhias enxergam sua importância. E aqui falamos da parte financeira, da imagem da empresa, do legado que ela deixa perante a sociedade”, define.

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Como exemplo, ele cita uma pesquisa recente feita em sua rotina como consultor e palestrante. “Perguntei para diversas pessoas o que elas fariam se tivessem a oportunidade de tirar alguma vantagem em seu local de trabalho, algo ilegal mesmo. As respostas variavam, mas a grande maioria afirmou que fariam isso caso soubessem que ficariam impunes. Isso diz muito sobre o que as pessoas pensam sobre má conduta.”

Soluções. Além dos mecanismos clássicos que verificam se as boas práticas estão de fato sendo utilizadas nas empresas, com controle e fiscalização, Marks aponta o preparo de bons líderes como outro elemento essencial para fechar essa conta.

“Infelizmente, a corrupção existe em qualquer lugar e é uma postura que devemos combater. E isso também passa pelo sociedade, que deve preparar gestores comprometidos com a diminuição e gerenciamento de riscos, transformando esse cenário de cima para baixo. É algo que ultrapassa os muros de uma empresa”, avalia.

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