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Nas startups, desafio é melhorar gestão sem perder inovação

Para atrair investidores e manter ‘espírito’, empresas precisam adotar medidas mais simples de governança

Jéssica Alves, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2016 | 21h54

As startups nascem com a necessidade de equilibrar a estrutura enxuta e a mente de empresa global. O desafio é acertar na hora de unir os processos e maximizar a eficiência sem perder a essência inovadora.

A já consolidada startup Uber encara esse desafio diariamente. Segundo, Gui Telles, diretor geral da Uber no Brasil, para chegar às mais de 400 cidades no mundo, as práticas de governança corporativa foram aplicadas desde a concepção da ideia até a escolha do motorista. “Sempre que entramos numa cidade replicamos o conceito do playbook (livro de melhores práticas) para não ter que reinventar a roda”, conta.

Na hora de selecionar o motorista, a principal característica buscada é a resiliência. “Optamos por um processo com várias etapas para testar a capacidade de enfrentar desafios”.

Segundo Márcio Brito, coordenador de startups do Sebrae, a governança corporativa não só é uma preocupação inicial, mas é uma premissa para crescer. “A governança vai pôr ordem ao que aparentemente está caótico, porque as startups geralmente têm poucas pessoas que fazem de tudo”, diz. 

Para Juliano Froehner, CEO da startup Ta Na Hora, a governança chegou para cumprir esse papel. Em 2013, a empresa era formada só por ele e mais um sócio, mas os executivos já buscaram um mínimo de governança para atrair investidores. Para o dono da startup, que oferece soluções para a gestão e monitoramento de saúde populacional, ter um negócio mais formal tira o peso da tomada de decisões. “No início nós resolvíamos coisas até por WhatsApp, mas percebemos que é fundamental falar a mesma língua do mercado”.

Segundo Rony Vainzof, sócio da Opice Blum Advogados Associados, as startups estão cada vez mais preocupadas em aplicar as questões de compliance e governança para saber se existe alguma questão legal que inviabilize o seu produto. “Tecnologia sempre causa um medo, mas as leis não podem proibir algo antes da sociedade”

O principal erro, na avaliação da advogada Helena Margarido, fundadora do escritório SuMLaw, é encarar o contrato social, documento que define as regras em torno da gestão, como padrão e não customizá-lo. “Se tem mais de um sócio, tem que ter definido onde cada um vai atuar”, explica.

Igor Mascarenhas, gerente de investimento da aceleradora Startup Farm, explica que a aceleradora não faz nenhum veto, mas prepara a startup progressivamente para que, no momento de entrada dos investidores, a empresa não sofra muito impacto. “O processo de governança em uma startup deve ser mais simplificado e gradativo”. 

Segundo Marcio Brito, o Sebrae também busca atuar no conceito de transparência e construção da cultura da empresa por meio de cursos e workshops. “O objetivo é fazer com que elas tenham objetivos definidos e saibam criar métricas e controle, pois futuramente tudo isso será posto em relatórios”.

A Estácio oferece o programa gratuito de pré-aceleração, Startup Nave, que trabalha com análise de cenários, criação de versão protótipo do produto para testar o modelo de negócio e, por fim, encontro com investidores e aceleradoras. Segundo a diretora de Inovação, Lindália Reis, o programa busca impulsionar com as ferramentas certas, porque “ter uma ideia brilhante não é o suficiente”. 

 

 

 

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