Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Petrobrás adota medidas de meritocracia para estimular desempenho

Pagamento de bônus por desempenho individual, criação de banco de talentos interno e alteração de plano de cargos e salários estão entre medidas adotadas pela estatal

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2018 | 05h00

 RIO- A Petrobrás vai dar mais um passo para implementar a cartilha da meritocracia no dia-a-dia dos seus funcionários. Em linha com o que manda o guru brasileiro de gestão de empresas dos anos 1990, Vicente Falconi, e com exemplos de sucesso do setor privado, como da cervejaria Ambev, a estatal quer estimular a performance dos seus profissionais. Para isso, está disposta a pagar bônus por desempenhos individuais de empregados, a criar um banco de talentos interno e a alterar o seu plano de cargos e salários.

Uma nova entidade de comando, um comitê multidisciplinar, ainda vai ser criado para zelar pela integração dos diferentes setores que formam o conjunto da companhia. A principal função do grupo vai ser mapear os principais problemas de cada área e encontrar soluções rápidas, ainda que impopulares.

As mudanças foram comunicadas pelo diretor de Assuntos Corporativos, Eberaldo de Almeida Neto, que assumiu o cargo no fim de janeiro, no lugar de Hugo Repsold, atual diretor de Desenvolvimento da Produção e Tecnologia. Em carta direcionada aos funcionários divulgada na intranet, à qual o Broadcast teve acesso, ele afirma que a companhia ainda tem que avançar bastante em dois temas essenciais para o seu futuro: "a integração e o mérito". "Temos de acelerar esse processo, de forma a intensificar o aumento da eficiência", acrescentou.

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Almeida Neto diz ainda que "recompensar o mérito da força de trabalho é uma função central do RH (Recursos Humanos) e um compromisso de toda diretoria executiva".

O comunicado não agradou a Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante dos empregados, que interpreta as medidas como um retrocesso a um modelo de gestão adotado durante o governo do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990. Coordenador-geral da entidade, José Maria Rangel afirma que o pagamento de bônus por desempenho já foi adotado no passado, mas caiu por pressão dos sindicatos.

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"Os sindicatos compreendem que o sucesso da empresa depende de uma ação conjunta dos funcionários e que as compensações por metas atingidas devem acontecer por meio do PLR (participação nos lucros e resultados)", afirmou Rangel.

A FUP está em negociação com a diretoria dos critérios de distribuição do PLR. A empresa que substituir metas operacionais por financeiras, mais difíceis de serem alcançados nesse período de crise, segundo a federação.

Hoje, qualquer promoção ou aumento de salário depende da vontade dos chefes. No futuro, com a adoção de um banco de talentos, a petroleira vai adotar "critérios claros para sucessão com base no mérito e amplo acesso" e o novo plano de cargos e salários que será discutido neste ano também deve dar mais mobilidade aos funcionários, como informou o diretor de Assuntos Corporativos no comunicado aos funcionários.

Especialista pela FGV Ebap (Fundação Getúlio Vargas/Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas), Carmen Miguelis diz que um dos efeitos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, foi tornar excessivos os sistemas internos de controle das empresas envolvidas. Além disso, aponta ela, as empresas brasileiras convivem, historicamente, em ambientes de grande lacuna hierárquica - entre as lideranças e o pessoal de base - e também de desconfiança interna, que "contribuem para que os melhores indivíduos não apareçam".

"Com a Lava Jato, dar poder a indivíduos é o que ninguém quer. É necessário fazer um trabalho organizacional mais robusto. Senão, os empregados são forçados a ter um grande desempenho, mas permanecem com os pés amarrados", acrescentou.

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