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EVELSON DE FREITAS|ESTADÃO

Quase metade das empresas do Ibovespa tem CEO no conselho

Entre as 58 companhias com as ações mais negociadas, 26 dão poder de voto na alta cúpula a seu principal executivo

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Flavia Alemi, Malena Oliveira,
O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2016 | 05h00

Embora organizações no Brasil e no mundo recomendem às empresas a separação total de poderes entre quem planeja e quem executa a estratégia de negócios, 26 dentre as 58 companhias do Ibovespa – o índice das ações mais negociadas na Bolsa de São Paulo – possuem um presidente executivo ocupando também uma cadeira em seus conselhos de administração, como mostra um levantamento feito pelo Estado. Entre elas, a CSN tem seu principal executivo – Benjamin Steinbruch – respondendo tanto pela diretoria quanto pelo conselho.

Apesar de a separação ser obrigatória apenas para as funções de diretor presidente e presidente do conselho das empresas listadas no Novo Mercado (segmento da Bolsa em que estão as companhias com as melhores práticas de governança), o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) diz que o acúmulo de outras funções também não é ideal. “Que capacidade o conselho vai ter de exigir uma correção de rumo se esse rumo é o próprio conselho que faz?”, diz Eliane Lustosa, vice-presidente do IBGC.

Além do conflito de interesses, há o desconforto dos conselheiros em participar de uma reunião com um CEO presente. Com passagens pela Alcan, CSN e Alcoa, o sócio da recrutadora Caldwell Partners, Arthur Vasconcellos, diz que a presença desse executivo pode inibir a forma como os conselheiros votam. “Se você tem de votar a premiação do diretor-presidente e ele está lá, é desagradável”, diz. Vasconcellos tem uma opinião clara: “O diretor-presidente não deve participar do conselho. Ele deve ir à reunião quando o conselho chamar, entregar resultados e sair de cena.”

A total ausência do CEO, entretanto, não é recomendada pelo IBGC. A entidade defende uma sessão exclusiva com esse executivo ao final de toda reunião de conselho para tratar de assuntos delicados, como críticas à gestão. A prática, porém, é incomum no Brasil.

A divisão de funções provoca controvérsias e uma das justificativas é que não há certeza sobre o benefício da divisão. “Não existe um estudo que diga que a mistura traga um efeito negativo”, explica André Camargo, coordenador do Insper Direito. Para Rodrigo Luz, presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), é preciso refletir sobre as melhores práticas de acordo com a realidade do mercado brasileiro.

Outro lado. A Petrobrás diz que a maioria de seus conselheiros é independente e que o presidente é um representante interno da estatal no colegiado.

Banco do Brasil, BB Seguridade, Bradesco, Itaú, Hering, Santander, Telefônica e TIM afirmam que os CEOs nos conselhos facilitam a comunicação e a interação entre os executivos.

Cesp, EDP, Gerdau, Localiza, MRV e Rumo ALL afirmam que possuem conselheiros independentes e seguem os padrões de governança referentes a seu segmento de listagem na Bolsa.

BR Malls, Cemig, CSN, Copel, Hypermarcas, JBS, Lojas Americanas, Lojas Renner, Sabesp e Tractebel não se pronunciaram.

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