Wilton Junior/Estadão
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Pela primeira vez, Vale terá membros independentes em seu conselho

Foram eleitas as especialistas em governança corporativa Sandra Guerra e Isabella Saboya, ambas indicadas pela gestora britânica de recursos Aberdeen

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 17h00

RIO DE JANEIRO - A Vale terá pela primeira vez dois membros independentes em seu conselho de administração. Em assembleia geral extraordinária (AGE) realizada nesta quarta-feira, 18, foram eleitas as especialistas em governança corporativa Sandra Guerra e Isabella Saboya, ambas indicadas pela gestora britânica de recursos Aberdeen. As duas tomam posse no dia 26 de outubro.

A primeira votação aberta foi a do sistema de eleição em separado dos detentores de ações ordinárias (ON) - que exclui os controladores - pelo qual é preciso atingir o quórum de 15% dos papéis. Sandra Guerra recebeu 62,7% dos votos computados, em disputa com o advogado Marcelo Gasparino, indicado pelo fundo Geração Futuro L. Par e pela Tempo Capital.

Já Isabella Saboya recebeu 96,6% dos votos no processo de eleição majoritária na disputa com o engenheiro e mestre em finanças Ricardo Reisen, conselheiro de empresas como a operadora de telefonia Oi e a Light. A candidata recebeu pouco mais de 1,7 bilhão de votos, de um total de 1.819.309.980. O número expressivo indica que os acionistas relevantes da Vale, reunidos até pouco tempo em bloco de controle na Valepar (Bradespar, Mitsui, BNDES e fundos de pensão estatais como Previ), exerceram seu voto.

Com a eleição de Sandra e Isabella, a mineradora passa a ter três mulheres em seu conselho de administração. Além delas, está no conselho desde o fim do ano passado a diretora do Bradesco Denise Pavarina. Ao todo a Vale tem 12 vagas em seu conselho. Presente à AGE, Sandra Guerra definiu o resultado como "histórico" em relação a participação de mulheres em companhias brasileiras. "Infelizmente é um fator inovador", disse.

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O diretor-geral da Aberdeen no Brasil, Peter Taylor, afirmou que a gestora acredita que os dois nomes vão contribuir com a evolução da governança da Vale. Também destacou que a diversidade melhora a dinâmica e as decisões no conselho. A Aberdeem detém 1,6% do capital da Vale e ações em outras 25 companhias brasileiras, como Bradesco e Multiplan.

Sandra Guerra destacou entre os desafios da companhia a reestruturação rumo a condição de "true corporation" (empresa de capital disperso, sem controle definido), busca por eficiência e uso consciente de seu excedente de caixa. "Saio da assembleia com os ombros mais pesados por conta dessa responsabilidade, mas muito entusiasmada pelo caminho que a Vale tem pela frente", disse Sandra Guerra.

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A escolha de nomes independentes para compor o board da mineradora de ferro faz parte das medidas para alçar a empresa ao Novo Mercado. O segmento exige a presença de pelo menos 20% de independentes no colegiado.

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