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Clayton de Souza|Estadão

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Ação da Usiminas já vale centavos na Bolsa e amplia perdas da CSN

Desvalorização dos papéis da siderúrgica mineira – que chegaram a R$ 0,96 – afetam os planos da CSN de vender ativos para aliviar sua dívida; fatia da companhia na Usiminas vale hoje cerca de R$ 450 milhões

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Fernanda Guimarães,
O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2016 | 00h22

As ações da siderúrgica mineira Usiminas, que, em 2011, já estiveram cotadas na casa dos R$ 20, encerraram o pregão desta sexta-feira, 15, valendo centavos. A desvalorização afeta diretamente a rival CSN, do empresário Benjamin Steinbruch, dona de uma participação equivalente a R$ 430 milhões na Usiminas. Com o derretimento dos papéis da companhia mineira, a CSN pode ser obrigada a fazer uma baixa contábil em seu balanço. As ações preferenciais da Usiminas começaram a ser classificadas no mercado como “penny stock” (que valem menos de R$ 1). Depois de uma queda de 7,69%, os papéis terminaram o dia valendo R$ 0,96.

Essa situação pode colocar uma pá de cal no intuito de Steinbruch de vender esses papéis dentro do programa de desinvestimento em curso no grupo, que batalha para reduzir seu pesado endividamento. A CSN detém 14,14% das ações ordinárias (ON) da siderúrgica e 20,69% das PN, de acordo com informações da BM&FBovespa. 

Em 2011, disposta a entrar no bloco de controle da Usiminas, a CSN passou a comprar papéis da rival no mercado até alcançar uma fatia que lhe garantisse um assento no conselho de administração. Também tentou comprar a participação que Votorantim e Camargo Corrêa detinham na Usiminas, mas que acabou sendo adquirida pelo grupo ítalo-argentino Ternium.

Desde que fez o anúncio oficial ao mercado comunicando a compra de ações da Usiminas, no dia 13 de janeiro de 2011, os papéis da siderúrgica perderam muito valor. As ações ON, no dia 13 de janeiro de 2011, estavam cotadas a R$ 22,76 e encerraram a R$ 3,10. Já as PNA estavam em R$ 19,90 naquele dia e fecharam a R$ 0,96 nesta sexta-feira. O valor de mercado da companhia era de R$ 21,4 bilhões e caiu para R$ 2 bilhões. 

Essa não vai ser a primeira vez, que a CSN tem de fazer uma baixa contábil por perdas no investimento em ações na Usiminas. Em 2012, essa perda contábil já era superior a R$ 1 bilhão. No segundo trimestre do ano passado, a baixa contábil foi de mais de R$ 60 milhões e, no terceiro, somou R$ 81 milhões. Desde então, as ações seguem em queda. 

Um analista que acompanha o setor disse que, depois das baixas já realizadas, apesar da queda da ação da Usiminas no período, o desconto deve ser menor.

Saída. Em 2014, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a CSN reduzisse a participação detida na Usiminas, como forma de evitar “sobreposição” em um mercado de aços planos “extremamente concentrado”. As ações da CSN estão com os direitos políticos suspensos. 

Em nota explicativas de seu balanço do 3º trimestre, a CSN destacou que suas ações na Usiminas estão designadas como ativo financeiro disponível para venda. Com uma dívida líquida superior a R$ 23 bilhões em setembro, a CSN está se desfazendo de uma série de ativos. 

Na Usiminas, a situação também não é tranquila. Desde 2014, os sócios controladores (Ternium e Nippon Steel) travam uma disputa societária. 

Com a demanda fraca pelo aço no País e excesso global de minério, as duas companhias já desligaram altos-fornos e começaram a demitir. Procurada, a CSN não comenta.

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