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FELIPE RAU/ESTADÃO

Ações da Gerdau despencam após operação da PF

Nova fase da Zelotes, que tem como um dos alvos o presidente André Gerdau, fez ações da empresa tombarem mais de 10%; Bolsa fechou em queda 0,47% e dólar terminou o dia em alta, cotado a R$ 3,96

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Paula Dias, Fabrício de Castro,
O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2016 | 10h41
Atualizado 25 Fevereiro 2016 | 19h13

O noticiário policial exerceu influência sobre os negócios na Bovespa nesta quinta-feira, 25, por meio de ações contra o grupo Gerdau. A Polícia Federal deflagrou mais uma fase da Operação Zelotes, com alvo na siderúrgica, investigada por suposta compra de decisões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda que julga recursos de contribuintes a multas aplicadas pela Receita Federal. As ações preferenciais da Metalúrgica Gerdau mergulharam e chegaram a entrar em leilão à tarde, antes de fechar em queda de 10,85%. 

A Bolsa chegou a esboçar uma alta pela manhã, mas acabou registrando sua terceira queda consecutiva ao fim dos negócios. Depois de ter subido até 0,58% e caído até 1,53%, o Índice Bovespa terminou o dia em baixa de 0,47%, aos 41.887,90 pontos. O volume de negócios foi de R$ 4,874 bilhões. O principal motivo para a queda, segundo profissionais do mercado, foram resultados corporativos que desagradaram os investidores. 

A queda não foi maior porque os preços do petróleo tiveram uma forte recuperação no meio da tarde, o que aliviou as perdas das ações da Petrobrás e reduziu a pressão vendedora sobre o índice. Durante todo o dia, as ordens de venda foram lideradas por investidores estrangeiros, justamente os que vêm dando sustentação ao mercado nos últimos dias.

Com as três quedas consecutivas, o Ibovespa perdeu 3,12%. No acumulado de fevereiro ainda há alta de 3,67%. Em 2016, o índice contabiliza queda de 3,37%.

O prejuízo de US$ 8,569 bilhões no quarto trimestre de 2015 pesou muito negativamente sobre as ações da Vale. O valor foi 4,6 vezes superior ao prejuízo do mesmo período de 2014. No acumulado de 2015, a Vale transformou um lucro em prejuízo líquido de US$ 12,129 bilhões (cerca de R$ 44,2 bilhões). Segundo levantamento da Economatica, o prejuízo anual é o maior registrado entre as companhias abertas brasileiras em 30 anos. Como resultado, Vale ON e PNA  terminaram o dia em queda de 5,89% e 5,23%, respectivamente.

Outro papel que se destacou na queda, por conta de resultados financeiros e guidances divulgados, foi Ambev. O lucro líquido atribuído à participação dos controladores no quarto trimestre, ficou 26% abaixo das estimativas do mercado. O Itaú BBA rebaixou a recomendação de "outperform" para "market perform", destacando, entre outros pontos, a expectativa de alta no Custo de Produto Vendido (CPV) em 2016. Uma das ações de maior peso no Ibovespa, Ambev ON fechou em queda de 2,59%.

As ações da Petrobrás tiveram uma influência secundária sobre o desempenho do índice, ora ajudando a pressionar para cima, ora pressionando para baixo. Os papéis da estatal petrolífera iniciaram o dia em alta com expectativas positivas em relação à possibilidade de venda de ativos e de mudanças no marco regulatório do pré-sal. Depois passaram a cair junto com os preços do petróleo e, à tarde, subiram junto com a forte recuperação da commodity. Depois de uma intensa alternância de sinais, Petrobrás ON (com direito a voto) fechou em baixa de 0,71%, enquanto Petrobrás PN (preferência em dividendos) subiu 0,41%.

O noticiário doméstico foi acompanhado de perto mas, segundo operadores, teve pouca ou nenhuma influência sobre os negócios com ações. Um dos destaques do dia foi o resultado do governo central, que começou o ano com superávit de R$ 14,835 bilhões em janeiro, o melhor resultado para o mes desde 2013. O montante reúne as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. O resultado veio em linha com o esperado pelo mercado, segundo levantamento feito pelo AE projeções (de R$ 1,898 bilhão a R$ 20,300 bilhões).

Dólar. O dólar sustentou perdas ante o real durante praticamente todo o dia, sob influência de fatores internos e externos. Só que, na reta final dos negócios, operações com cupom cambial de curto prazo, que levaram as taxas a terem fortes altas neste mercado, espalharam pelas mesas a percepção de que uma grande saída de dólares do País poderia estar ocorrendo. Isso fez com que, passado o período de ajuste dos contratos futuros de dólar, investidores saíssem comprando moeda, em meio aos rumores de fluxo de saída. O resultado foi a virada do dólar para o positivo, com a moeda à vista encerrando em alta de 0,15%, aos R$ 3,9636. 

Na abertura dos negócios, o viés negativo para o dólar ante o real era justificado, nas mesas de operação, por certo apetite ao risco no exterior e por um movimento de redução de perdas do petróleo. Os dados divulgados no Brasil pela manhã - de desemprego pelo IBGE (7,6% em janeiro) e de arrecadação pela Receita (R$ 129,385 bilhões) - corroboraram a percepção ruim em relação à economia brasileira. No câmbio, os números poderiam ser motivo para um avanço do dólar ante o real, mas acabaram em segundo plano.

Isso porque, na visão de alguns profissionais, ainda repercutiam nos negócios os desdobramentos mais recentes da Operação Lava Jato, que levou o marqueteiro das campanhas de Dilma, João Santana, para a cadeia. "Há muita expectativa com a Lava Jato. Mesmo quando o dólar chegou a cair 3% mais cedo, o dólar persistiu na queda no Brasil", comentou Cleber Alessie Machado, operador da H. Commcor DTVM. Por trás disso está o raciocínio de que, se a Lava Jato enfraquecer Dilma a ponto de tirá-la do Planalto (via ação no TSE ou impeachment no Congresso), a economia vai se recuperar mais rapidamente. 

Mais para o fim da tarde, porém, o cenário mudou. Profissionais ouvidos pelo <b>Broadcast</b> destacaram um movimento atípico no mercado de cupom cambial - DDI, com os contratos de curto prazo. As taxas destes contratos subiram, o que, em tese, pode indicar algum movimento de saída de recursos do País. "Surgiram especulações de que poderia estar havendo saída, por causa do cupom. Assim, depois do ajuste do dólar futuro (que ocorre entre 15h50 e 16h00), muitos players saíram comprando moeda", comentou um profissional de banco.

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