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Carlos Severo/Fotos Públicas

Cenário político influencia mercado e dólar fecha em queda

Moeda norte-americana encerrou o pregão em baixa de 0,59%, cotada a R$ 3,59; ações da Petrobrás invertem sinal e terminam em alta

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Paula Dias,
O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 10h34

O dólar retomou a trajetória de queda nesta terça-feira, com os investidores dividindo as atenções entre o cenário político e os passos do Banco Central na política cambial. A deflagração de uma nova fase da Operação Lava Jato, o segundo leilão de swaps reversos e decisões desfavoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva no STF estiveram entre as principais notícias do dia. A moeda americana terminou o dia em baixa de 0,59%, cotada a R$ 3,5948 no mercado à vista. Em um dia de negócios reduzidos, a Bovespa terminou o dia em baixa de 0,32%, aos 51.010,19 pontos, puxada pelo desempenho negativo de ações específicas, como as do setor financeiro.

O dólar chegou a subir até R$ 3,6521 (+0,99%) pela manhã, com os investidores à espera do leilão de contratos de swap reverso do Banco Central. A operação, que equivale à compra de dólares e venda de taxa de juros pelo Banco Central, consistiu na oferta de 14.500 contratos. Foram vendidos 10.000 contratos, ou 69% da oferta. Na véspera, o BC havia vendido 27,5% da oferta de 20 mil contratos.

A colocação parcial dos contratos de swap reverso fez o dólar perder fôlego e a cotação virou para o negativo pouco depois, com o mercado voltando as atenções novamente ao cenário político. A percepção de enfraquecimento do governo Dilma Rousseff predominou e a cotação chegou à mínima de R$ 3,5757 (-1,12%), pouco antes das 14 horas.

Bolsa. No mercado de ações, a queda da Bovespa foi relacionada essencialmente ao desempenho individual de determinados papéis ou setores. As ações do setor financeiro, como Itaú Unibanco ON (-1,49%), Banco do Brasil ON (-1,45%) e Bradesco PN (-1,04%) passaram por ajustes motivados pela realização de lucros recentes e devido à indicação de venda feita por um banco estrangeiro.

Já as ações da Petrobras terminaram o dia em alta, apesar do prejuízo recorde de R$ 34,836 bilhões em 2015. O resultado foi 61% maior que a perda registrada em 2014, que havia ficado em R$ 21,587 bilhões. As ações abriram em queda, mas inverteram a tendência a partir de análises de que os próximos balanços da estatal podem ter números melhores. No final do dia, Petrobras ON subiu 2,24% e Petrobras PN avançou 0,62%.

O cenário político continuou no radar dos investidores, mas o noticiário não chegou a impactar significativamente os negócios com ações. No início da tarde, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o seguimento em ação ajuizada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suspender parte da decisão do ministro Gilmar Mendes, na sexta-feira passada, que invalidou a posse de Lula como ministro da Casa Civil.

Weber considerou que não cabe habeas corpus questionando a decisão de ministro do Supremo. "Esta Corte já firmou jurisprudência no sentido de não caber habeas corpus contra ato de Ministro Relator", afirmou no despacho. Segundo profissionais do mercado, houve ainda intensa especulação em torno da possibilidade de novos desdobramentos da Lava Jato atingirem Lula. Pela manhã, a Polícia Federal deflagrou a 26ª fase da Lava Jato, mas nenhum político foi preso ou levado a prestar depoimento.

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