Administradora de fundos GP vai abrir capital

A GP Investimentos vai vender suas ações na Bolsa de Valores. Maior administradora brasileira de fundos de private equity - que compram participação em companhias de diversos setores - a GP entrou com um pedido de abertura de capital na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A oferta está sendo coordenada pelo banco de investimentos Credit Suisse. É a primeira empresa de private equity a abrir seu capital na América Latina. A iniciativa é diferente de outras vendas de ações que têm ocorrido no mercado brasileiro. A sede da GP fica em um paraíso fiscal, as Ilhas Bermudas, conhecida por abrigar muitas companhias financeiras e seguradoras multinacionais. Ao abrir seu capital, a GP não pretende mudar sua sede. O controle continuará nas mãos dos seus atuais sócios. A empresa vai oferecer aos investidores os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts).Os BDRs são papéis equivalentes a ações, mas com a sede da empresa em outro país. No Brasil, só existe uma empresa com BDRs, a espanhola Telefônica. Mesmo assim, seus papéis despertam pouco interesse e são pouco negociados na Bolsa de São Paulo. Esse é um mercado pouco explorado no País. O equivalente das BDRs para as empresas com sede no Brasil são as ADRs (American Depositary Receipts), ações de companhias nacionais negociadas em Nova York. Ao abrir seu capital, a GP está seguindo a mesma lógica que aplica nas empresas em que atua. A GP participa do controle em várias companhias brasileiras de grande porte, como a companhia telefônica Telemar, a empresa de transporte ferroviário ALL, a construtora Gafisa e a loja de vendas pela internet Submarino. Todas essas companhias venderam recentemente ou estão oferecendo seus papéis na Bolsa. A GP está aproveitando a euforia dos investidores com o mercado de ações para vender suas participações nas empresas. O caso mais recente é o da Telemar, que anunciou na semana passada a oferta de suas ações de controle. A GP foi criada pelos antigos donos do banco Garantia, como Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, hoje fora da sociedade. Atualmente, a GP tem oito sócios. Em pouco mais de dez anos de atividade, a administradora investiu US$ 1,3 bilhão, principalmente de recursos de investidores estrangeiros, em mais de 30 empresas. As aplicações deram um retorno de 23% ao ano, em dólar.

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 09h24

Mais conteúdo sobre:
finanças

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.