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André Dusek/Estadão

Agravamento da crise política assusta empresários

Falta de previsibilidade e de lideranças políticas estão entre as preocupações dos maiores executivos do País

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O Estado de S.Paulo

04 Março 2016 | 21h55

Enquanto o mercado reagia com euforia ao depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Polícia Federal, alguns dos principais empresários e executivos do País demonstraram preocupação com o agravamento da crise política, que tem refletido diretamente no, já complicado, cenário econômico brasileiro.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, “o que piora a situação das empresas é a falta de previsibilidade”. Na opinião dele, “a volta da confiança de investidores e consumidores não pode ficar ao sabor do chamado mercado”, já que a reação da Bolsa e do dólar podem ser apenas especulação. Só nesta sexta-feira, 4, o dólar recuou 1,12%, para R$ 3,7675, e o Ibovespa teve alta de 4,01%.

 O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que ainda é muito prematuro falar em mudança de tendência na economia real por causa da alta da Bolsa e da queda do dólar registrada nos últimos dias. “Trata-se de um evento por um dia, não sabemos se isso vai continuar”, diz ele. Castro ressalta que até agora não houve um fato de ordem econômica que sustente esse movimento.

De toda forma, o presidente da AEB observa que a alta da bolsa indica uma maior confiança dos investidores na economia real e a queda do câmbio cria insegurança no setor externo. “Os exportadores consideravam que o piso do câmbio seria R$ 4 e o recuo para R$ 3,70 gera insegurança no setor exportador de produtos manufaturados.”

Mas há quem veja esse movimento com otimismo. Ueze Zahran, presidente da Copagaz, produtora de botijões de gás, disse que, o que se viu nesta sexta, já é uma resposta do mercado aos últimos acontecimentos. “Sou a favor de que a verdade venha à tona”, disse ao Estado. Segundo ele, a companhia não reduziu o apetite para expandir nesse segmento. “Temos planos de expansão”.

O discurso é muito parecido com o do presidente da Telefônica Vivo, Amos Genish. Segundo ele, a atual turbulência política pela qual o Brasil passa não vai afetar os investimentos da operadora no Brasil. “Seguimos confiantes no País e vamos manter nossos planos de expansão para os próximos anos.”

Mais cautelosa, a empresária Luiza Trajano, agora presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, segunda maior rede varejista do País, preferiu ficar de fora da polêmica que envolveu o depoimento do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à Polícia Federal. “Temos que respeitar a democracia. Vivemos uma democracia”, disse, sem fazer juízo de valor sobre o caso. O varejo de eletromóveis, segmento no qual Luiza atua, é um dos mais prejudicados pela crise econômica brasileira.

Declaradamente um defensor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Flávio Rocha, o principal executivo da varejista Riachuelo encarou o episódio como indiferente para os rumos do País e da economia. “A questão não é o que fazem com o Lula, mas sim encerrar este triste capítulo da economia e começar um outro”, disse. “O Lula estava sem discurso nenhum. Agora, ele se colocou na posição de vítima e quase me convenceu.”

O agravamento da crise política, na avaliação de um dos maiores empresários do programa Minha Casa, Minha Vida traz à tona um outro problema: a falta de lideranças. “Estamos acéfalos”, diz Rubens Menin, fundador da incorporadora MRV. “Não temos líderes para conduzir um pacto nacional e levar o País para um porto seguro. Isso é o que mais preocupa.” / MÁRCIA DE CHIARA, CLEIDE SILVA, FERNANDO SCHELLER, MÔNICA SCARAMUZZO E NAIANA OSCAR

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